sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A bailarina


Amanheceu o sábado.

Ela levantou cedo. Não queria perder um segundo. O banho foi rápido, o café igualmente.

Foi ao armário. Lá estava a fantasia. A bailarina.

Dançou dos três aos 12. Parou: o quadril cresceu mais do que a professora de balé poderia aceitar. A fantasia era uma lembrança. E uma frustração.

Tirou-a do armário e do cabide. Estendeu sobre a cama e observou por alguns segundos. Os segundos viraram minutos de contemplação. Era muito bonita a roupa da bailarina.

Lembrou da infância. Uma lágrima escorreu discretamente.

Tirou o pijama e começou a colocar a fantasia. Mas a roupa da bailarina parecia ter alguma coisa errada. Não entrava. Não cabia na roupa da bailarina. Tentou mais uma vez.

Lembrou da professora do balé. E das outras bailarinas. Ia sempre assistir. Gostava de balé. Era apaixonada. Mas odiava um pouco as bailarinas. Pensou que a professora talvez tivesse razão. Definitivamente, não tinha jeito para bailarina.

Foi então que rasgou a roupa da bailarina. Inteira. Desfiou algumas partes, costurou outras. Em pouco mais de uma hora, tinha outra fantasia.

Odalisca.

A odalisca é uma bailarina gostosa, pensou.

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