quinta-feira, 30 de maio de 2013

SONS EM IDEIAS E IMAGENS



Altura para mais um testamento "para ontem", feito hoje. Na altura em que me preparo para escrever um poema, insinuando a nudez na palavra. Imaginando-a nua, deixando as suas vestes cair: sons em ideias e imagens, cada uma, uma a uma

Olho a consequência da escrita de outros, por consequência a minha materializa-se como se pudesse ser… feita da essência da poesia que faz da Poesia a matéria para a qual me preparo.

terça-feira, 28 de maio de 2013


há duas formas de fazer parar a cabeça. uma é dormir. serve uma paulada bem forte.  difícil aplicar em si mesmo. mas funciona bem, quando se trabalha em pares. a outra é ficar pensando mesmo, sem parar. revisar todos os pensamentos até não restar nada. então a mente pára, é automático. e funciona mesmo. em geral até você começar a pensar de novo.

domingo, 26 de maio de 2013

Tudo é possível


__ Você pode fazer tudo o que quiser, meu amigo. Não deixe ninguém e nada te intimidar. Seus sonhos são possíveis de se realizar, sejam eles quais forem. Basta acreditar e trabalhar por eles.

__ Eu queria encostar minha língua na ponta do meu nariz.

sábado, 25 de maio de 2013

Ruptura




Um pressentimento, uma solene tentação
Do som ecoando pelo coração
Notas de encanto guardadas na mão

Uma previsão, do rompimento da dor
Enclausurada no quadro sem cor
Evitando o despertar singelo do amor

Um desgaste que perpetua no ser
Emoções que se alimenta ao ver
Desejos ocultos no amanhecer

Uma sombra que busca esvair
No quebrante da alma a cair
Enlevo que no fim irás ressurgir

Querer é um simples início de amar
É ruptura, a chave para destrancar
Melodias de uma alma a sonhar

Amar é no fim tornar a romper
O lacre que evita a esperança crescer
Ruptura da dor, flores a envolver.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Dois lançamentos


Convite: Elefante, Rafael Nolli
Convite: Fórceps, Coletânea

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Abri o espaço para novos escritores

Por favor,
Mandem e-mail com dois trabalhos para: larissapin@hotmail.com, com o t´´itulo do assunto: Manufatura e eu analisarei o material.
  Grata,
Larissa Marques

Antítese

imagem: KChan1787  

Era disso que precisava
álcool, sexo e escuridão.
Não suportava mais sua pele
e suas antíteses.
Enquanto adiava o silêncio
pedia, rezava, ansiava
por esquecimento.
O café da manhã
os olhos nos olhos
nem a boca na boca
fariam renascer a chama
e nada provaria
o quanto sofreu para deixar
suas últimas palavras.

sábado, 18 de maio de 2013


Ao som que vibra e alcança
destino a corda tensionada ou
bamba em movimento
razão e contra senso
que desflora numa intenção disforme
solta como vento
naqueles tempos os signos falavam de conexões astrais
confusas amarrações estrelares
auto-declaradas disfunções
influxos

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cemitérios

A paz dos cemitérios é perene, definitiva,


imorredoura



Seus muros, fronteira entre o ser e o não ser,

são apenas contornados pelos furacões

e protegem as terras inférteis,

ignoradas pelos ditadores

por só produzirem lembranças



Repare: não há apenas solidão e silêncio

Mas também trégua



Pelos cemitérios não há alegria.



Também não há batalhas,

desespero

cansaço

fome



Pois a morte já levou tudo

a dor

a dúvida



Não duvides:

por vezes, os mortos somos nós.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Amargo


Entrou na padaria.

Era o meio da manhã. Saiu de casa um pouco antes do habitual e, indo pro trabalho, decidiu tomar um café.

Tinha fome.

Por isso, pediu um espresso. A garota do lado de dentro do balcão perguntou o que iria comer.

Nada.

Ficar tomando café sem comer nada faz mal ao estômago, ela disse. Olhar perdido, ele teve vontade de aplaudir a visão empresarial daquela padaria ao colocar uma gastroenterologista para atender no balcão. Mas achou que poderia ser encarado como uma grosseria.

Desistiu.

Olhou pra ela. Que sorria. Ele havia parado de sorrir. Não com a pergunta. Ao menos não com aquela. Mas respeitava o sorriso dela. Na verdade, admirava.

Ergueu as mãos, como dizendo que não podia fazer nada, que no fundo, não conseguia evitar. Ela entendeu o gesto e sorriu mais uma vez, entregando o espresso. Olhou pra xícara. Pegou o biscoitinho do pires e comeu.

Procurou o açúcar.

Ela entregou uma cesta com os sachês. De amargo já basta a vida, disse. Clichê, ele pensou em resposta. Mas não falou nada. Abriu o primeiro sachê.

E despejou.

Misturou. Bastante. Tentando fazer desaparecer os microgrãos. Aproximou a xícara da boca. Cheirou o café.

Precisava de mais açúcar.

Outro sachê. Mesma operação. Ainda não era suficiente. Não estava doce o suficiente. Xícara próxima a boca e nariz. Sem encostar. Sentia o amargor. E não queria.

Outro.

Chegou ao quinto sachê. A balconista olhou. Talvez pensando em falar alguma coisa. Ele se preparou para fazer a pergunta que havia sufocado antes em nome da doçura. Ela não falou nada. Nem ele.

Mais um.

Tá tudo bem?, ela perguntou. Ele não respondeu. Abriu outro sachê e despejou na xícara.

Não havia nada a dizer. Sentia-se só. Profundamente só.

Ela não se deu por vencida. Repetiu. Mas ele já estava colocando outro sachê na xícara. Era como se ele não ouvisse. Mas não. Ouvia. Só não tinha uma resposta. Ao menos, não uma satisfatória.

Ela mudou de estratégia. Posso te ajudar em alguma coisa?, perguntou.

Sim, respondeu. Ela sorriu. Sentiu-se bem. Ele, só. Não havia mudado. Nada. Preciso de mais açúcar, pediu.

Ela não acreditou. E resolveu insistir. Algum problema?, ela perguntou, sim, ele respondeu rápido.

E fez-se silêncio. Ela ficou olhando pra ele. Ele levantou os olhos da xícara e disse alguma coisa baixinho. Não deu pra ouvir.

Tá tudo amargo, ele disse.

domingo, 12 de maio de 2013

Destino


Acordou no ônibus; Não sabia para onde estava indo, não fazia idéia.
Olhou em volta, apenas indiferença. Começou a ficar incomodado com a situação. Queria perguntar para alguém sobre o destino, mas tinha vergonha. Tentou olhar pela janela, mas estava no corredor e a senhora ao seu lado dormia, com as cortinas fechadas.
Depois de certo transtorno, resignou-se com a situação. Nunca achou que fosse chegar a lugar algum. Algum lugar - qualquer que fosse - já seria longe.

sábado, 11 de maio de 2013

Leitura sexy




Ela lia
Eu sentia

Eu de ouvido
Ela tocada

Ela tão linda 
Eu boquiaberto

Eu dedilhava
Ela declamava

Ela convite
Eu chave

Ambos 
Poesia 


Joakim Antonio

 


Série de videos mostra mulheres lendo e atingindo orgasmos

A ideia é do fotógrafo Clayton Cubitt mas rapidamente se espalhou, dando origem a algumas réplicas. Hysterical Literature é uma série de vídeos de mulheres lendo textos, com passagens eróticas ou não, ao mesmo tempo que são estimuladas por um vibrador. Atingindo o clímax, elas mostram “o dualismo entre o corpo e a mente”.

O fotógrafo responsável pela ideia diz que a série também pretendeu mostrar o contraste entre cultura e sexualidade, já que o orgasmo feminino ainda é criminalizado em algumas sociedades e religiões.


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Steiner e Beckett

Já disseram uma vez:

"a melhor coisa é não ter nascido, e a segunda melhor, morrer cedo."

Seria cômico se não fosse trágico?
Seria trágico se não fosse cômico?

A diferença é o ritmo.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

nascituro


o enfermiço traz a sintonia
dos que praguejam
com lucidez redobrada
não consegue mais dormir

aprende e sonha
e pouco mais resta
ao ser o abortado
rejeitado e extirpado

a metrópole podre ferve
adoece de suas crias
e promove a queima breve
dos que invejam solenes

efêmero ser encerra
sua pequena tarefa
não arrota desaforos
apenas exala o cheiro
do caos metropolitano.