domingo, 15 de fevereiro de 2015

Sexta-feira de carnaval



É sexta-feira. O sol ainda não se pôs, mas o surdo ecoa pelas ruas do centro. A confusão de pessoas saindo do trabalho se mistura às batidas.
Ele está com a gravata frouxa quando a vê.

Psiu!

Ela não olha. Está com uma tiara colorida na cabeça. No corpo, a roupa do trabalho.

Psiu!

Ele insiste.
Ela insiste na recusa.

Vou te dar duas opções.

Ela não acredita. Olha pra ele. Finalmente.

Oi, gata.

Odeia ser chamada de gata.

Fala comigo, gata. Olha pra mim.

Ela segue ignorando. Ele, repetindo.

Então, gata, vou te dar duas opções.

Nunca viu ele antes, não acredita no ultimato.

Gata, é o seguinte: ou você me beija ou dá uma cambalhota.

Ela não acredita.
Ele não deixa dúvidas.

Ou me beija ou dá uma cambalhota.

Ela encara; ele, sério. As amigas dela observam a cena.

Prefiro rolar até a Barra da Tijuca.

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