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terça-feira, 11 de setembro de 2007

O HOMEM QUE OLHAVA PARA O CÉU

(O homem que olhava o céu?)

(É.)

O homem olhava para o céu no meio do pátio universitário. A boca estava meio aberta e os olhos apertados. Parecia forçar os olhos a procura de algo. O que ele procurava o deixava espantado.

-Ah.- Exclamava.

Um cabulador escutou a interjeição e, para matar o tempo, olhou para cima a fim de descobrir o que assombrava tanto o homem. Nada achou, mas já que estava ali, deixou-se ficar.

-Ah.- disse o homem que olhava o céu.

Um grupo de moças, com a curiosidade inerente às mulheres, parou e cochichou, perguntando-se o que o homem olhava. Como as respostas foram vazias, passaram a procurar no céu o que atraia sua atenção.

Uma turma de rapazes que esperava a próxima aula, sentados nos corredores entre as salas, viram o amontoado de garotas e chegaram mais perto para ver se elas usavam ou não sutiã. Notaram que todas olhavam para o céu, deviam estar vendo alguma coisa interessante.

-Ah.- Falou o homem que olhava o céu.

-Aaah.- Repetiram alguns que ali estavam, para dar a impressão de que também viram.

Professores que andavam pelo local pararam e começaram a pesquisar o céu. Faxineiras, maravilhadas, estavam adorando participar daquele movimento estudantil. Funcionários da Universidade também estavam ali, com o intuito de descobrir se aquela agitação lhes traria algum indesejado serviço extra. Vendedores de balas, aproveitando a concentração, encostaram com seus carrinhos. E estudantes, muitos, pararam, viram o pessoal e olharam para o céu.

-Ah.- Anunciou o homem que olhava o céu.

-Aah.- Assustaram-se uns.

-Aah.- Disseram outros.

-Aah.- Contemplaram alguns.

-Aah.- Entenderam algoutros.

-Aah.- Repetiu o resto.

Uma verdadeira multidão agora estava em torno do homem que olhava o céu. Alguns perguntavam o que eles estavam vendo.

-Ali.- Respondiam-se sussurrando. -Lá em cima, não tá vendo?

-Ha hã.- Claro que estava, não admitiria que era o único a não ver.

Católicos, protestantes, crentes, macumbeiros, teosóficos, numerologistas, tarólogos, brancos, pretos, amarelos, vermelhos, verdes (havia uma gestante quase parindo e ela estava verde de enjôo), operários, empresários, gerentes, vendedores, advogados, médicos, engenheiros, vagabundos, cabeludos, carecas, gays, heteros, bis, dois olhos, quatro olhos, petistas, peemedebistas, pedeessistas, doentes, saudáveis, atletas, ociosos, inteligentes, burros, bonitos, feios, virgens, tarados, aidéticos, fumantes, não-fumantes, drogados, prostitutas, clientes, vicentinos, assistentes sociais, roqueiros, jazzeiros. Muitas, muitas pessoas estavam ali. De todos os tipos. Todos cercavam o homem que olhava o céu.

-Ah.- Disse ele.

-Aaah.- Responderam todos, espantados.

-Nhé.- Respondeu o bebê, que nasceu ali mesmo.

-Ah.- Repetiu o homem que olhava o céu.

-Aaaah.- Responderam todos, em coro.

A multidão estava unida pela curiosidade e pelo respeito ao evento que estava prestes a se desencadear. Todos tinham um só pensamento e uma só voz.

-Ah.- Novamente o homem que olhava o céu.

-Aaaaah.- A multidão.

Todos ficaram nervosos.

-Ah.- Mais uma vez o homem que olhava o céu.

-Aaaaaah.- A multidão, mais alto.

A coisa estava acontecendo.

-Ah.- O homem.

-Aaaaaaah.- A multidão.

Subitamente:

-Athin.- O homem que olhava o céu agora olhava para baixo, depois de ter espirrado em todos na sua frente.

(Espirrado em todos que estavam na sua frente?)

(É, ele não colocou a mão na boca.)

(Ah.)

segunda-feira, 11 de junho de 2007

A mão branca

A noite joga seu manto sobre a luz
E minha vergonha desaparece
Protegido pela escuridão
Fico em paz

Não quero neon na minha cara
Nem pessoas me servindo
Preciso saber quem sou
E do que sou capaz

Penso no que não fui e
No que não serei
Sonho o sonho dos malditos
Não volto atrás

O breu que esconde o medo
Revela o monstro íntimo
Escolho o fracasso da vida sob a luz
Que a liberdade da mão branca

A mão precede a mente e o ser
A mão é branca mas a alma negra
quer dia

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Sobre golpes, tretas e literatura de comadre

- Seqüestramos seu filho!

Disse o cara ao telefone. Veio com um papo que era do Corpo de Bombeiros, perguntou se eu conhecia alguém de vinte e poucos anos, descreveu mais ou menos a pessoa. Quando confirmei que era meu filho, veio com o golpe.

- Chupe o pau dele! – Foi minha resposta.

Imagino que ficou tão desconcertado que emudeceu.

- Com carinho, tá? – Pedi. E desliguei.

Eu não tenho filho. Sabia que o telefonema era um golpe. Coisa de presidiário, ligam para alguém, jogam um verde e exigem como resgate depósito em contas-laranja. Dá para fazer a transferência pelo computador da casa. Em minutos, extorquem a grana que será retirada em caixas 24 horas.

Detesto golpe, constantemente somos assediados por sem-vergonhas tentando nos passar para trás.

Pior é que agora a prática se expandiu para as grandes empresas. Minha conta de telefone veio 27 pilas mais cara. Liguei para a GVT. Uma eternidade entre labirintos de “tecle zero para recomeçar”.

- Filho – Falei com minha voz grave e pausada, pareço um excelentíssimo alguém com ela – preste atenção! – Explanei detalhadamente o que havia de errado. O atendente, intimidado, corrigiu a conta e pediu desculpas.

- Não.

- Não?

- Não desculpo! Vocês sabem que erraram e mantiveram o engano pois o prejudicado era o consumidor. Detesto golpe.

Desenvolvendo a idéia, vi há muito que grandes empresas, como as de cartões de crédito, que cobram pelo serviço o fazem apenas para ter um extra. O lucro bruto vem do pagamento das faturas.

- Empresa de cartões? – Ligo todo início de ano. – Quero cancelar!

Outra eternidade de labirintos numéricos e sempre sou enviado para uma “central de análise para encerramento de conta”. Centenas de opções depois, o atendente informa que retirará todas as tarifas do cartão para aquele ano se eu continuar com ele.

Cumpro rigorosamente este ritual com todas as empresas que cobram pelo serviço. Algumas vezes consigo apenas um bom desconto. É uma treta, um atalho para fugir das taxas. Um contra-golpe ao sistema capitalista. A única saída anárquica porém legal à exploração exagerada, outro nome para roubo institucionalizado.

Me peguei pensando nesta crônica na fila do caixa-eletrônico – ainda não dá para imprimir dinheiro em casa. Retirei uma miséria, pois medíocre estava meu saldo. Imaginei se algum dia eu conseguiria ganhar algum dinheiro como escritor. Sei de tantos que ganham honestamente seus trocados em revistas e jornais, e outros, horrorosos, que são até homenageados.

Quais são os caminhos para o sucesso? Escrever bem, ter boas idéias e... algo mais. Sorte? Talvez. O que tenho visto no meio literário é um grande suporte entre escritores, todos se cumprimentando e elogiando. Todos conclamam aos leitores que tais compadres são os melhores escritores depois deles próprios. Uma tremenda masturbação coletiva.

Ao leitor, sobra a própria crítica às obras, pois não se pode confiar na sinceridade desta trupe de escritores tão desprezada. É nesta hora que a casa cai! Ele percebe que aquele sujeito tão elogiado é somente o amigo do elogiante, não um bom autor. Vê-se engrupido no pior dos golpes: a opinião, que não precisa ser embasada, nem coerente e muito menos verdadeira. É só um incentivo.

Quem perde é a literatura, pois vê mais um leitor fugindo da leitura, afinal, ele não é obrigado a aceitar porcarias.

Em todas as áreas existe protecionismo. Nem dá para resistir, só lamentar não fazer parte. Obviamente se eu estivesse entre os que são elogiados e vendem livros e participam de congressos, recebendo belos cachês pelas besteiras que escrevem, não contestaria o sistema. Calar-me-ia, não sou trouxa. Mas não posso entrar para este grupo de literatura de comadre, sou muito crítico, escrevo muitos palavrões, não sei elogiar tosqueiras.

Se um dia eu amadurecer, me enquadrar, tiver talento o suficiente e for convidado para o chá dessas tias, ah, ai sim será uma bela treta. Até lá, continuemos na batalha – contra tudo e todos.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Contos de fodas

Suei

Joguei futebol a tarde inteira. O tempo estava úmido e o suor não evaporou. O rêgo da minha bunda ficou tão suado que achei que tivesse soltado um peido acompanhado - se é que você me entende.

Despedi-me da galera e fui para casa aprontar-me para o encontro com a Patrícia, uma deliciosa amiga. Eu a conheci no cursinho e quando vi que ela tomou um fora do namorado, a convidei para fazer algo mais relaxado - como um uísque na minha casa. Ela estava vulnerável.

- Oi. - Ela sorriu, apoiada na minha porta. - Cheguei mais cedo.

Entrei em casa com ela, pensando em correr para o banheiro e me lavar. Além do cheiro de suor com chulé, comum após as peladas, eu sentia também o leve odor da "freada de bicicleta". Ou de trator.

- O que você tem para beber? - Ela perguntou. Adorei a pergunta.

- Uísque. - Respondi. - Doze anos. - Completei.

Peguei uma garrafa da prateleira. No rótulo dizia que o uísque era importado e de doze anos. Eu a enchera na noite anterior com uma porcaria de um uísque nacional. Era só colocar bastante gelo que ela nem iria notar.

Bebericamos uns goles e ela logo acariciou meu rosto. Meu corpo reagiu e lembrei que fedia como um porco. O suor seco ardia debaixo dos braços e minha bunda arranhava como se estivesse com areia na sunga.

- Ao menos nossas bundas estão nas nossas costas, longe de nós. - Disse em voz alta.

- O que?

- Nada. - Retruquei. - Espere um minuto que vou tomar banho.

- Não! - Ela botou a mão na parede, trancando minha passagem. - Eu gosto do seu cheiro de homem!

Eu não gosto de cheiro de homem, pensei. - Quero tomar banho. - Consegui dizer.

Patrícia segurou as golas da minha camisa de futebol e me tascou um beijo. Senti sua língua percorrendo minha boca seca. Ela pareceu gostar e eu adorei. Ela se virou para soltar as alças do vestido e eu dei um gole no uísque. Era ruim mesmo.

Quando vi os espetaculares seios da minha amiga, decidi desesperadamente lavar minha partes. Eu fedia muito.

Ela me beijou e brinquei levemente com seus seios. Não queria me empolgar. Ofereci mais um pouco de uísque, tentando embebeda-la para conseguir fugir e me lavar, mas ela não me soltou. Eu também fiquei meio alegre de tanto uísque.

- Mais. - Ela falou, olhando-me nos olhos. Sua boca tinha sabor de bebida, estava ótima. Rolamos do sofá da sala para o chão. Ao menos livrei-me de minhas roupas fedorentas. Tirei a calcinha de Patrícia sem a empolgação de sempre, pois estava preocupado com minha própria cueca. Consegui enrolá-la para fora dos joelhos rapidamente e a joguei o mais longe possível.

A transa ritmada logo me fez esquecer meu cheiro azedo e minha bunda com restos indecifráveis.

- Ao menos nossas bundas estão nas nossas costas...

- Longe de nós. - Completou a garota. - Você já disse isso.

Assustei-me. Ela se lembrava do que eu falei ou estava também sentindo o cheiro de bosta podre que eu exalava?

Acabei me desconcentrando no sexo. Continuei me mexendo mas tentava afastar minha bunda o máximo possível. Acho que a nova movimentação ajudou a menina a chegar ao orgasmo ou ela fingiu uma gozada para acabar com aquilo, mas logo o ato estava encerrado e ela sorria para mim. Sua pele brilhava.

Ela foi ao banheiro se lavar. Porque mulher pode se lavar a hora que quer? Corri para a pia da área de serviço e joguei água no cu. Ele estava limpinho. Havia um pedaço linha de algodão do short enrolado entre os pêlos da região. Ele havia friccionado a pele do ânus e feito uma pequena assadura. Eu a estava confundindo com uma cagadinha na cueca.

Patrícia voltou do banheiro com o copo na mão. Abraçou-me e me ofereceu bebida e depois os lábios. Ela havia gozado, senão estaria menos carinhosa.

- O que você quer dizer com aquela história da bunda? - Perguntou. Ela estava satisfeita com o sexo, mas eu só havia começado a relaxar.

- Ainda bem que elas estão atrás de nós, pois se estivessem na nossa frente estaríamos andando atrás das bundas. - Girei a mão como se enroscasse uma lâmpada. - Entendeu? Atrás das bundas?



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