
Foto: Joana Muge
Deita tua voz em meus ouvidos
ferindo a castidade que me faz dormir tão cedo.
Preciso das pontas dos teus dedos
para que a insônia crave em mim as suas unhas
e eu te guarde, enluarado, entre os meus segredos.
Desenrola teu desejo sobre a minha pele nua
para que a minha boca beba na tua,
esse hálito de flor
e provoque uma súbita troca de posições
onde meus cachos pendam frouxos sobre o teu rubor.
(Para que eu me despeça da maldade
do querer entardecido de ausências,
deita tua fome em nossas pendências.)
E deixa que o dia brote do horizonte
como se fosse do mais íntimo da gente:
adormeceremos ensolarados e castos
como o poente.
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Marla de Queiroz