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quinta-feira, 6 de março de 2008

Amanhã

Hoje
Comemos a carne
Comemos as vestes
Somos antropófagos
Carnívoros devorando a vida.
Hoje
Somos miseráveis
Das idéias
Dos sentidos
Da futilidade.
Cérebros devorando mentes.
Hoje
Matamos os deuses
Outrora louvados
Antes adorados
Para sempre odiados.
Hoje
Não há motivos
Nem desculpas sinceras
Não há caminhos
Ou ruas seguras.
Amanhã
Nada restará
Das almas que devoramos
Dos homens que ignoramos
Dos deuses que matamos
Das vestes que nos abrigavam
Do frio gelado de nossa própria consciência.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Pseudo-Cores Estalantes

Peço desculpas aos amigos leitores e blogueiros pela ausência no mês passado!

Esse conto vem de longe. É algo que me dá alguma coisa e que tenho a pretensão de dividir. E ele se divide entre mim e você, como um coração que se sente solitário e ao mesmo tempo se esconde com medo de ter tudo que não pode alcançar. O fato é que esse conto me dá alguma coisa que nunca pedi, mas espero há muito!
Ele está em forma de ‘um segundo atrás’ – fala do passado – mas é atual como a estrela que ainda não morreu. E contos são como árvores de plástico – tão reais e tão inverossímeis! Esse conto é uma mistura de canções no ouvido e palavras na boca. Esse conto se basta, mas não é o suficiente para ser lido. Não pretendo ter – conseguir – nada com ele a não ser as formas que os espaços em branco desenham no texto – marcando a retina com pseudo-cores estalantes.
Sucede que a breves intervalos não programados posso me dar ao luxo de terminá-lo sem dar um sentido para o fim – porque mesmo o fim não tem um sentido – visto que (se a eternidade é para o fim) nada será contra ela.
Diz-se então que nada tem fim, nem a vida – mas uma alteração: a morte. E a morte nada mais é que a passagem do estado sólido para o gasoso. Esse conto é essa dicotomia. Assim eu descanso em paz. Sem dor. Sem nada dizer a meu favor. E esse conto fala disso, dessa desnecessidade de precisar se explicar. Talvez esse conto não fale de nada ou fale de tudo – contudo é aqui que ele termina.


LEIA TAMBÉM EM:
FÁBRICA DE HISTÓRIAS
LIVRO ABERTO
MOSTRA PLURAL

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

RELÂMPAGO

...E se eu te dissesse
Aquilo que eu não pudesse ouvir?
Seria demasiadamente correto
Acreditar naquilo que não pudesse ver?
...E se eu te dissesse
Que a razão de tudo isso é você?
Esperaria a chuva derramar seu lamento sobre nós?
...Talvez você me dissesse
Que acreditar ou não, não faria sentido nenhum agora.
...Talvez você me dissesse: a vida é tão simples e os livros tão belos!
...E eu te dissesse: o mundo perde o sentido
Se a espera é infinita e o amor um relâmpago!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

A Sereia

Quase como uma lenda “perdida para todo o sempre”, a Sereia não deixava de se tornar tangível, a fim de provar que tudo era mentira aos olhos dos céticos. Ela dava grandes saltos de dentro d’água para a pequena plataforma construída na praia por ela mesma. Ironicamente, todos que passavam diante do tal lugar, ignoravam por completo a sua performance. Não havia motivo então, para tão apaixonado trabalho de marketing pessoal.
Sem se sentir derrotada, resolveu contratar a assessoria de um antropofilos, na esperança de ter seu talento e realidade reconhecidos pelos humanos. E assim, o tal intelectual, deu cabo de seu “plano de medidas extremas”.
Em apenas uma semana a praia estava lotada de pescadores para ver a Sereia.
Muito curiosa, perguntou ao profissional, como havia conseguido tamanha façanha. No que ele respondeu:
- Não basta que você salte 100 vezes por dia para fazer com que o povo te reconheça, é preciso dar um bom motivo para eles.
- E que motivo foi esse? Perguntou a Sereia curiosa.
- Eu apenas disse a eles o que não fazer!
- Como assim?
- Eu coloquei uma placa dizendo: PROIBIDO PESCAR!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Pela Janela


Ao olhar a janela, podia ver que o tempo não a poupara de nada.
Ao olhar pela janela, podia ver que lá fora tudo estava exatamente como sempre foi, menos ela.
Podia ver que muita coisa havia mudado, dentro e fora de si.
Com olhos marejados limpou as marcas do tempo que enfeitavam a janela.
Todas elas eram testemunhas da mudança que havia ocorrido.
Ela viu então que dentro e fora, agora, nada importava.
Importava sim o como e quando.
Que o coração não sentiu, a saudade não levou e o tempo não apagou.


Alexandre Costa

Leia mais em: http://fabricadehistorias.wordpress.com

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Tome Nota

Comprar travesseiros novos: pra perceber como a vida pode ser gostosa.
Tomar três banhos por dia: pra sentir que a natureza não mendiga suas posses.
Gritar dentro do armário: pra ouvir os ecos de nossa própria consciência.
Chorar dentro de um copo: pra não esquecer os motivos que nos emocionam.
Massagear os pés: pra perceber que somos nós mesmos que nos impulsiona para frente.
Despejar o lixo: pra levar pra fora as dores e os males da alma.
Sorrir para o gato de porcelana: pra lembrar que você é uma pessoa normal.
Ler bulas de remédio: pra descobrir como somos frágeis.
Tome nota do que você precisa fazer, mas faça apenas o que te faz melhor.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Todos querem se fazer ouvir!

De algum modo todos querem se fazer ouvir. E se apesar disso, dizer algo for difícil, esperam que faça sentido e que o outro os reconheça. Todos têm essa vontade dentro de si e, ainda que precariamente não consigam expressar suas idéias, suas emoções, fazem o possível para serem conscientes e expressivos.
As palavras compõem todo o nosso ser, atravessa dimensões que vão desde a vida diária até nossos sonhos. Com elas falamos, pensamos e escrevemos a nossa história.
Em muitos momentos até brigamos com elas na tentativa de organizar nosso pensamento e nossas idéias.
Pensamos para falar e, às vezes, falamos sem pensar. Escrevemos para que os outros reconheçam em nós a voz do outro. Assim, a linguagem e a escrita desenvolvem a capacidade de comunicação com as palavras e nos fazem sentir mais livres.
A liberação da linguagem e do pensamento passa necessariamente pelo espírito para depois despejar-se no mundo material através da fala e da escrita.
Escrever é comunicar o que foi ou está sendo vivido; é resgatar em cada linha aquela lembrança ou idéia que merece ser compartilhada; é enunciar os desejos e as esperanças.
Escrever também é esclarecer e organizar as idéias, porque precisamos das palavras tanto quanto precisamos de amor.
Por isso, escrevam livremente, naturalmente, ouvindo sua própria voz interior.
Afinal, não existe escrita que não seja construída com o corpo e com a emoção.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

RELÂMPAGO



...E se eu te dissesse
Aquilo que eu não pudesse ouvir?
Seria demasiadamente correto
Acreditar naquilo que não pudesse ver?
...E se eu te dissesse
Que a razão de tudo isso é você?
Esperaria a chuva derramar seu lamento sobre nós?
...Talvez você me dissesse
Que acreditar ou não, não faria sentido nenhum agora.
...Talvez você me dissesse: a vida é tão simples e os livros tão belos!
...E eu te dissesse: o mundo perde o sentido
Se a espera é infinita e o amor um relâmpago!

domingo, 6 de maio de 2007

AMANHÃ

Hoje
Comemos a carne
Comemos as vestes
Somos antropófagos
Carnívoros devorando a vida.
Hoje
Somos miseráveis
Das idéias
Dos sentidos
Da futilidade.
Cérebros devorando mentes.
Hoje
Matamos os deuses
Outrora louvados
Antes adorados
Para sempre odiados.
Hoje
Não há motivos
Nem desculpas sinceras
Não há caminhos
Ou ruas seguras.
Amanhã
Nada restará
Das almas que devoramos
Dos homens que ignoramos
Dos deuses que matamos
Das vestes que nos abrigavam
Do frio gelado de nossa própria consciência.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

NOSSO TEMPO (carta para os humanos)

Quero agradecer a Larissa que me convidou para participar deste projeto e estar ao lado de grandes escritores.
Meu primeiro post foi escrito há 1 mês atrás e foi uma grata coincidência postá-lo hoje, pois acabei de ver o documentário "Uma verdade incoveniente" do candidato derrotado à presidência da república dos EUA Al Gore.
Amigos, já é passada a hora de cuidarmos de nosso planeta!




Querida, vivemos em um tempo muito diferente de tempos atrás, um tempo que não pede trégua, não nos acolhe nem justifica nossa existência.
Nosso tempo dá voltas ao redor de tudo e de todos, nos comprime e oprime em questões fundamentais, para de propósito, nos afastar do foco.
Nosso tempo, criado a nossa imagem, nos devolve o retrato fiel do que realmente somos hoje.
Crimes hediondos, pais e filhos hediondos, governos hediondos, filosofias, partidos e homens hediondos.
O mundo gira sem peso, sem centros, sem acima ou abaixo, sem fé.
Criamos e matamos em nome do tempo em que vivemos.
Não é sua culpa querida, nem minha, nem de ninguém, a culpa é do nosso tempo, sem tempo para parar e olhar ao redor.
No meu tempo, no seu tempo, no nosso tempo não era assim, não havia tempo para essas coisas.
A violência, os homens, o mundo, tudo agora faz sentido para mim.
Através da janela, com a cara colada no vidro, vemos nosso tempo acabar com tudo, inclusive com a vida, pois não há tempo para se preocupar com algo tão passageiro quanto a existência humana.
Não esqueça querida que somos nós que fazemos nosso tempo.

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