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domingo, 9 de maio de 2010

Ponto de Vista

Não nos cabe julgar
Coisas ditas no leito.

Afinal, depende do lugar
O que é ou não vulgar.
O que, noutro contexto,
Seria falta de respeito;
O que é certo ou irregular;
O quê, como, ou quando dar.

São, enfim, o dito e o feito
Apenas questões de conceito.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Marcas

Trago como um distintivo
estas linhas sobre as costas
meio retas, meio tortas,
gravadas em sangue vivo.

Se entrecruzam cicatrizes
sobre meu dorso marcado
de alto a baixo, lado a lado.
"Mas que absurdo!", dizes.

Explico o que aconteceu:
Mulheres têm longas unhas
E algumas usam as suas
como ferro de marcar: "Este é meu".

Se me importo? Ora, não!
Reconheço, claro, a posse
e mesmo que assim não fosse,
são um selo de aprovação.

São testemunha silenciosa
de noites de pouco dormir
que deixa como souvenir
minha amada quando goza.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Picadeiro

De frente pra plateia,
o cara equilibra rimas,
joga palavras pra cima
como quem faz malabarismo
com três motosserras ligadas
e seis granadas sem pino,
mas sabe que o público espera
é só pra ver se ele erra.
Só isso e mais nada.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Terra Arrasada

Bateste em franca retirada.
Te ocultaste além do horizonte,
mulher que outrora chamei “Amada”.
E quem saberá dizer onde, e quão longe,
fica a amurada que te esconde?
A cama que foi nossa um dia
– e, por mim, ainda seria –
é o leito de um rio morto
(antes água, hoje lodo).
Entre uma margem e outra,
sumidouro, atoleiro, fosso:
queimaste a última ponte,
não resta vau, nem passagem,
e nem mesmo o próprio Caronte
se atreveria a navegar este charco.
Da minha margem diviso a tua,
que por léguas ao fundo e ao largo
fizeste estéril, calcinada e nua,
como quem dissesse, “Delenda Cartago”.