
sábado, 3 de maio de 2008
Do nada à Fernanda

quinta-feira, 3 de abril de 2008
Homenagem à pequena amora

Ardemos como fogo,
Foi amor, aroma, minha amora!
segunda-feira, 3 de março de 2008
Contudo, nada
Contudo estou aqui sem nada
Tentando uma falsa guarda,
Sendo obtuso para compensar
Os agudos da minha infinda alma
Torno assim algo puro
Em temeroso, obscuro!
Já que me tarda tal clareza
Que nesse assunto
Não se fala, cala
E não se possuí, acompanha
Acompanha até as expressões,
Firmadas em fortes rugas,
Rimarem de tão antigas
Ou findar numa bifurcação
Espontânea, ou não,
Em qualquer momento de nossas vidas...
Augusto Sapienza
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Num mais um dia qualquer

Espiei curioso pelas duas janelas da face
Dentro da frágil casa de carne, ossos e já poucas vísceras
E assim vi um ego formoso de terno fino a mesa
Brindando com tal de "Sr. Sucesso Moderno"
Levantando uma taça de sorriso tinto barato, escarrado...
O tim-tim das taças rimavam com gemidos do quarto escuro do ser
Onde a alma se prostituía fervorosa com a insanidade,
Produzindo sons que seduziam até o celibato do racional
Ao lado e em pé vi uma mulher frágil, esquecida e suja
Vagava pela casa com um olhar tenso, vazio e preocupado...
Era a identidade, estava cheia de "se" e vazia de si,
Poderia ver-se num espelho que não reconheceria a si própria...
Queria encontrar a si apenas se fosse num lugar fora dela
Por fim percebi algo passando rápido e rasteiro,
Era a mente, que parecia estar com disenteria
Corria despejando fezes midificadas pela a casa...
(suspiro)
Isso tudo apenas com o rosto de frente para um espelho
Num mais um dia qualquer desses por aí...
Não é à toa que a auto-crítica é a mais odiada pela casa,
Nessa casa composta apenas de um cômodo... Eu, acomodado...
Augusto Sapienza
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
O dia que menti para a realidade

Mais que menti, acreditei em minha criação
Por mim escarrado, num tipo de sonho mudo,
Na face rígida da minha realidade viril
E de troco, da verdade, ganhei um murro...
E quando me recuperei, novamente sóbrio,
Você e o acaso já haviam se cansado,
Salgaram o meu doce desvaneio febril...
Afinal, de tanto permanecer sorrindo,
Minha sorte teve caimbra na boca...
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Auto-bibliografia Ideal

domingo, 4 de novembro de 2007
A solidão não é só
|
Augusto Sapienza
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
A amada e o mosquito

Torna-se o ciclo das coisas...
Augusto Sapienza
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Da série do meu dicionário individual conotativo: Realidade

Acho que cada um tem a sua...
a minha é inverossímil
Onde a vida é uma vilã com requinte de crueldade
E morte às vezes me aparece como a libertadora
e ora como quem castra...
E eu que nem não sou personagem disso?
Sou apenas boneco de "ventrílouco"!
Preso por fios, em nós que me atam
em regras sociais e de tola existência...
Pior que no fim, posso estar preso por nós,
mas só existe eu em mim...
Acho que o grande defeito da realidade
É não aceitar minhas verdades que eu tento impor...
Augusto Sapienza
terça-feira, 3 de julho de 2007
Pedras do castelo
Um dia vou construir um castelo
...
Por muitos caminhos não retos devo guardá-las?
Todas essas pedras que colocam em meu caminho?
Para construir o meu esperado castelo
Na larga terra escolhida para meu definho?
É esse o tal esperado vindouro?
Quando chegar lá, será de pedras o meu tesouro?
Apenas pedras postas ali mesquinhas e obtusas?
Apenas pedras frias, pesadas e mudas?
Elas não passam de frustradas, isso sim!
Pois das montanhas não passam de farelos...
Servem apenas para levantar paredes,
Jamais por si suficientes para construir castelos!
E as janelas, jardim, cama, endereço?
E o reino, rainha, portas e portões?
As pedras têm objetivo maior que o tropeço,
Elas juntas têm habilidade de formar prisões
Assim só terei pedras, apenas pedras terei...
Além de paredes o que mais eu farei???
Talvez me apedrejar de forma voraz...
Então escrevinho:
As pedras no caminho? Deixo para trás...
Nenhum dia vou construir qualquer parede...
Obs: Nemo Nox é o autor dos versos da primeira estrofe
domingo, 3 de junho de 2007
Artifícios

Depois inundou meu ser de suas mentiras bonitas...
Assim me seduzia. Fazia o que gosto, riscava o que detesto
Mas no fim só me dava a secura de sua persona talhada em mão hábil
Escondendo-me o que está debaixo dessa sua sedenta pele débil
Talvez até gostasse do que há nessas suas vísceras, no profundo
Já que sua talhada de pau-oco me serve só para enfeite, não me completa
Mas falar-te de coração é como dizer um adeus para um ateu...
Então lhe dou um adeus mais sincero que qualquer coisa que já viera da sua boca
Teu amar é tão quente e previsível quanto um filme barato e mal acompanhado
Onde a melhor parte é o intervalo da sua vida, mas ele nunca chega...
Meu artesão de falsidades, faça sua própria cova e lápide com alguns artifícios vazios
Se torne um Narciso de sua talhada e elaborada imagem na busca do impecável
Mas eu? Ah, se só isso me bastasse, mas sempre preciso de algo mais
Eu quero alguém com distorções, manco e infame, mas franco e (talvez) mais nada!
Acho que você não percebeu, o meu riso ali era honesto (e não era para você)...
Eu estava livre do seu "te quero", leve e letal como uma granada...
E acho às vezes que o seu ser sincero é ser falso, talvez... Ou talvez eu que não seja burra,
Sou um pluriverso dinâmico e cafona e você é estatueta numa prateleira moderninha
Você ainda me pergunta se eu tenho certeza do que decidi. Mas o que importa essa certeza?
Até os loucos têm certezas de estimação cravadas em seus hospícios
O Certo não é a questão, a questão é cardíaca e por isso ausente de certeza...
E para você? No final e na melhor das hipóteses, conseguirá a proeza de realmente
Convencer o mundo que sua talhada persona pode ter vísceras vivas!
Ah, mas só se for de vermes da madeira, exatamente aquilo que te consome...
quinta-feira, 3 de maio de 2007
O centro que me tira do eixo
Do meu, por ti, já pequeno peito
Se você vira o centro do meu ser
Nos receados ou ávidos momentos?
Talvez por isso que na glória ou perda,
No sol a pino ou no meu leito,
Você tire esse ser torto do seu eixo,
Já que pesa mais nesses momentos
Tais onde emaranha-se denso!
E sendo um fadado centro,
Mas não estar, em mim, centralizado,
Tira-me o eixo e me e se contraria...
Rompendo-nos, nos ligeiros giros,
Nessas revoluções em forma de dias...
segunda-feira, 16 de abril de 2007
No escuro de si
No escuro de si

Só resta o escuro, se faz pleno!
Tal esse que me toca tão ameno
Posto que se ao invés do breu
A luz sob essa casca, a verdade,
Revelasse-me nu, cru em mim,
Não restaria nenhuma sanidade
Na minha falsa-belo vida-jardim
E tendo o pesar maior que mundo,
Doloroso reconhecer(-se),
Cedo em desespero, em medo,
Na proeza de fugir de si mesmo,
Pois é menos árduo compadecer
Com toda humanidade do que
Admitir-se em plena vontade
Então deixe-me nesse repouso
Teimoso e irrefutável...
E já não durmo, vou além, hiberno!
E o cotidiano-travesseiro moderno
Não me é duro, me é bem confortável...