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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
No primeiro ato, as cortinas se abriram e ela admirou a platéia. Tons surdos a abraçaram nos segundos que precederam o beijo. Calmaria. Pareceu-lhe que deus criou o mundo com a mão esquerda e abstraiu o íntimo das ruas em convulsão, ao final do dia. Seguiram-se aplausos, tombados pela tragicofilia coletiva. Paradoxos. Viu-se a própria Carmem [de Bizet]. Todavia, percebeu-se apaixonada. Ar-re-ba-ta-do-ra-men-te. Não era hora para mimeses de encanto. Minutos suspensos. Cerrou os olhos para dedilhar os vapores se esvaindo de sua promessa romântica. Encontrou forças e fechou as cortinas antes do último ato. Virou-se sem olhar pra trás pra retornar ao seu deserto epicuriano.
Caroline Schneider
sábado, 4 de setembro de 2010
Do teu silêncio
Do teu silêncio
tão profundo
sobem ondas de agonia
revela almas amordaçadas
presas com pedras aos pés
querendo gozar
Em têmporas, suores fervilham
e eu te fito, buscando resposta
mas resta-me apenas sentir
a angústia
das tempestades em minhas vísceras
Caroline Schneider
tão profundo
sobem ondas de agonia
revela almas amordaçadas
presas com pedras aos pés
querendo gozar
Em têmporas, suores fervilham
e eu te fito, buscando resposta
mas resta-me apenas sentir
a angústia
das tempestades em minhas vísceras
Caroline Schneider
domingo, 4 de julho de 2010
Hiato
Tudo pela metade
sinto-me
transparente
Beijo o cigarro
como quem beija o asfalto
após passar um carro engasgado
nada começa
nada termina
hiato
Decido que a vida
não chegou ao limite
sou apenas
vírgula
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Opostos
Gosto de Opostos
daqueles com Gritos
ou Silêncios
no meio da Multidão
Delicio-me ao ver
a Beleza da Dor
ou o Visco que há
na singeleza do
Fim do Amor
Rio-me da Dicotomia
entre a Paz e a Guerra
arriscada pelo Estopim
de uma Centelha
e
Valho-me da Certeza
que o Tudo
completa o
Nada
E que sem os Opostos
o Mundo se Acaba
Caroline Schneider
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Ciclo
Na dimensão
exata
etérea
de dois corpos
estão quebradas
vagas canções
de outras vidas
assim começa
assim termina
ciclo que afirma
sem opção
o céu do olhar
e o chão da língua
Caroline Schneider
exata
etérea
de dois corpos
estão quebradas
vagas canções
de outras vidas
assim começa
assim termina
ciclo que afirma
sem opção
o céu do olhar
e o chão da língua
Caroline Schneider
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Diálogo fúnebre sobre a Vida
Disse-me a Morte
que a sorte
não é sequer
contorno de linhas perdidas
o amor
a busca de uma sombra no arvoredo,
que seja igual à minha
e a felicidade
é Vê-la chegar
e sem medo
entregar-se
num suspiro
de saber
Ter Sido
Caroline Schneider
que a sorte
não é sequer
contorno de linhas perdidas
o amor
a busca de uma sombra no arvoredo,
que seja igual à minha
e a felicidade
é Vê-la chegar
e sem medo
entregar-se
num suspiro
de saber
Ter Sido
Caroline Schneider
sábado, 4 de julho de 2009
Mendigo estrelas

Mendigo estrelas
a me tombarem luz
pelas calçadas
Em noites escuras
vago, sem rumo,
nas madrugadas
Anseio ver - quem sabe -
aquela cadente
que inda mantenha
deserdado brilho
que seja qual à jura nunca dita
que seja igual a sede que me voga
Mendigo estrelas...
pois sem elas, minha noite empalidece
e a solidão toma o tamanho do Universo
Caroline Schneider
quinta-feira, 4 de junho de 2009
estátua mutilada
Rabisquei muitas vezes
até ter de volta as palavras
por vezes e vezes tentei
obter o vislumbre das rosas
em minhas mãos
só o ardume do cheiro
que verte do tédio
sofri co'vazio de não ter
respostas
Sôfrega entre sombras
rumei inquieta
Sou estátua mutilada
que grita, improvisa
porém, não inanimada,
meu risco é certo,
viver é o melhor dos mistérios
Caroline Schneider
até ter de volta as palavras
por vezes e vezes tentei
obter o vislumbre das rosas
em minhas mãos
só o ardume do cheiro
que verte do tédio
sofri co'vazio de não ter
respostas
Sôfrega entre sombras
rumei inquieta
Sou estátua mutilada
que grita, improvisa
porém, não inanimada,
meu risco é certo,
viver é o melhor dos mistérios
Caroline Schneider
domingo, 4 de janeiro de 2009
Caiba-me
Caiba-me, destino
Que te sinto
nas entranhas
das curvas suaves
do meu desatino
Caiba-me, Universo
Que te vejo
nas paredes pintadas
anarquizadas pelos dedos tortos
dos deuses que sopram
em todas esquinas
vão seria
meu desassossego
se a sorte ouvisse
meu gemido
e uma ânsia
palpita em meu peito
por ter o sopro do mundo
na redoma
do meu olho esquerdo
CAROLINE SCHNEIDER
Que te sinto
nas entranhas
das curvas suaves
do meu desatino
Caiba-me, Universo
Que te vejo
nas paredes pintadas
anarquizadas pelos dedos tortos
dos deuses que sopram
em todas esquinas
vão seria
meu desassossego
se a sorte ouvisse
meu gemido
e uma ânsia
palpita em meu peito
por ter o sopro do mundo
na redoma
do meu olho esquerdo
CAROLINE SCHNEIDER
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Poesia ao vento
Bate o vento
Sem licença do universo
Ímpeto traz
leva folhas
de poesias inda não vivas
brinca
com os cabelos das meninas
toca pétalas
numa dança colorida
levanta saias
em brincadeiras atrevidas
esta aura que me sopra
despenteia
inspira
e aviva a alma adormecida
justifica
tudo aquilo que se move
e ativa olhares
dedos que se alinham em tempestade
pra que mais uma poesia
ganhe’os ares!
Caroline Schneider
Sem licença do universo
Ímpeto traz
leva folhas
de poesias inda não vivas
brinca
com os cabelos das meninas
toca pétalas
numa dança colorida
levanta saias
em brincadeiras atrevidas
esta aura que me sopra
despenteia
inspira
e aviva a alma adormecida
justifica
tudo aquilo que se move
e ativa olhares
dedos que se alinham em tempestade
pra que mais uma poesia
ganhe’os ares!
Caroline Schneider
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Miniconto

Ela e toda sua essência deixavam-se cair sobre seu colo. Naquele momento, não se importaria se todos os pássaros deitassem em revoada e a carregassem ao céu... A morte, não faria o mínimo sentido.
Ninguém consegue viver com tanto veneno... a verdade liberta... o frio seduz apenas os libertinos...
Pensava que nos arredores de suas imagens fractais, apenas um ser conseguira aproximar-se da verdade de suas horas mais inóspitas. E era dele o colo no qual realmente conseguia descansar suas máscaras.
Genuinamente, pensara, não há coração sem razão a lhe oferecer paz. E neste momento ela chorou.
Caroline Schneider
Ninguém consegue viver com tanto veneno... a verdade liberta... o frio seduz apenas os libertinos...
Pensava que nos arredores de suas imagens fractais, apenas um ser conseguira aproximar-se da verdade de suas horas mais inóspitas. E era dele o colo no qual realmente conseguia descansar suas máscaras.
Genuinamente, pensara, não há coração sem razão a lhe oferecer paz. E neste momento ela chorou.
Caroline Schneider
sábado, 4 de outubro de 2008
Segredos da Monarquia
Escondo-me sob o manto de rainha
Mas quero o súdito mais rude da corte
A penetrar meu ventre ordinário de mulher
Quero gritos de plebéias
Transpiração de rameiras
Gemidos de cortesãs
Que façam ecoar em meu ser as trombetas dos cavaleiros
A guerrear nas savanas do meu reino
Quero ser devorada como faisões de banquetes reais
Sobre colchões de feno
Nos currais
Dou meu cetro de poder
A quem, mesmo de soslaio possa
Retirar-me do mediterrâneo inferno
Que é viver
Sem uma centelha de prazer...
Caroline Schneider
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Vestida de Branco

Dormi vestida de branco
Para tornar-me anjo lascivo
E voar em sonhos até você
No caminho, encontrei um querubim
Que me disse, um dia, tê-lo flechado
Com dardo envenenado de amor
Só para mim
Ao chegar,
camisola de renda,
deixando meu corpo à mostra
para teu deleite, sem vendas
Tornamo-nos feras
Com unhas e dentes
Desnudou-me
Aliterando pulsante desejo
Que uniu dois corpos em um
Ofertei-te duas rosas
Róseas, perfeitas
Que tu degustaste
Com olhos, boca e mãos
Prostrastes teu sexo em compaixão
E, com paixão, volitamos até as estrelas.
Para tornar-me anjo lascivo
E voar em sonhos até você
No caminho, encontrei um querubim
Que me disse, um dia, tê-lo flechado
Com dardo envenenado de amor
Só para mim
Ao chegar,
camisola de renda,
deixando meu corpo à mostra
para teu deleite, sem vendas
Tornamo-nos feras
Com unhas e dentes
Desnudou-me
Aliterando pulsante desejo
Que uniu dois corpos em um
Ofertei-te duas rosas
Róseas, perfeitas
Que tu degustaste
Com olhos, boca e mãos
Prostrastes teu sexo em compaixão
E, com paixão, volitamos até as estrelas.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Lamento da Musa Triste
Sou tua fada nua
Oh! Poeta dos vendavais!
Uma musa triste
Deveras cansada de esperar
Por seu poeta ausente...
Que em riste finge
Sem queixas ou pranto no olhar
Sorriso de musa que se sabe amar...
Ponho-me a buscar
O fio do rio que leva ao mar
E o vento bate em meus labaredos cabelos
Que, quais asas, aspiram em tua procura voar
Perfeita teia vermelha fervilha em meu corpo
Delineado por teu negro olhar
Olhos que em busca de inspiração
Já me fizeram tua
Tantas vezes, tua
Caroline Schneider
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Doçura do meu fel
instiga-me
a retirar o véu
mostrar-lhe a alva doçura
do meu fel
desvendada entre quatro paredes
ou entre terra e universo
por dentre estrelas cadentes
faz-me iluminar
por entre curvas
que me cercam
procura a que te leve
ao jardim
de escondidos paraísos
lá onde habitam
meus mais recônditos
desejos inda não ditos
depura-me
em linhas de sins e de ais
e me cala
no momento de ápice da explosão
em que tudo se sinta
mas não se possa ouvir
e o corpo estremeça
em torpor
de amortecimento e calor
voltando, lentamente,
a ser o que jamais foi
mas que aparentemente
assim o era, assim o foi:
um precipício lançando-se
ao céu!
Ganhe asas...
E retorne em aconchego e calor!
a retirar o véu
mostrar-lhe a alva doçura
do meu fel
desvendada entre quatro paredes
ou entre terra e universo
por dentre estrelas cadentes
faz-me iluminar
por entre curvas
que me cercam
procura a que te leve
ao jardim
de escondidos paraísos
lá onde habitam
meus mais recônditos
desejos inda não ditos
depura-me
em linhas de sins e de ais
e me cala
no momento de ápice da explosão
em que tudo se sinta
mas não se possa ouvir
e o corpo estremeça
em torpor
de amortecimento e calor
voltando, lentamente,
a ser o que jamais foi
mas que aparentemente
assim o era, assim o foi:
um precipício lançando-se
ao céu!
Ganhe asas...
E retorne em aconchego e calor!
terça-feira, 4 de março de 2008
Gotas Encantadas
descem por um vendaval
de curvas molhadas
em direção ao ventre
gotas, encantadas por
intocada orquídea
que não perdoa
quem a toca à toa
em gotículas, seguem
auspiciosas e itinerantes
e gemem, pelos
portais
do Éden
Caroline Schneider
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Alegorias
comiseração da alegria
vida de lágrima
na face de Pierrô
sou Colombina
descreio sempre
da esperança
desvalida
mito de riso
choro, dor
lágrimas
ao findo dia
cansei-me de viver
Alegorias
em cada carnaval
tu, Arlequim
traz-me destino
sonho de ópio
disritmia
tríade de desventuras
desta venturosa
vida?
o que é isto
que pulsa
no ritmo
do enredo
que um deus
carnavalesco
escreveu sob
sangrenta pena
em nossos corpos
pintados sob amanhecido
segredo
de’uma quarta-feira
de cinzas?
Alegorias
frívolas, possíveis ruínas
trazidas pelo vendaval do tempo
réstias do sol
jazidas
sobre confete e serpentina
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Serafina
Quando a vida termina
Ou traz um beco em cada esquina
Chamo-te,
Serafina
Traga-me um trago
ou um trasgo de lua
Para que a vida se refine
Ou sequem as barragens
do fio de água que alimenta
a seiva dos meus rios e cascatas
Faz-me teu servo gentil
Pra que o tempo recomece
a contar longe de tudo que se finda
Serafina
.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Dialética
sou pedra que chora
sou vidro que estilhaça
meu sorriso canta,
enxugando lágrimas
nos cantos, poças
covas rasas de intenso pranto
mas inda há brilho no olhar...
mesmo que por vezes se apague
nos percalços do meu caminhar
intenso o frio por falta de afago
calor que arrefeça a alma
escrevo, calando grito
como que alimentando gemido
quero colo, quero afeto
mas faço-me discreto
e, friamente,
saio pela tangente
e se precisar, bato o martelo...
pois mesmo quando sou fraco
faço-me forte
assim eu sou
nada morno, nada pouco
ou tudo ou nada
sou Tese
sou Antítese
e por fim,
Síntese
CAROLINE SCHNEIDER
sou vidro que estilhaça
meu sorriso canta,
enxugando lágrimas
nos cantos, poças
covas rasas de intenso pranto
mas inda há brilho no olhar...
mesmo que por vezes se apague
nos percalços do meu caminhar
intenso o frio por falta de afago
calor que arrefeça a alma
escrevo, calando grito
como que alimentando gemido
quero colo, quero afeto
mas faço-me discreto
e, friamente,
saio pela tangente
e se precisar, bato o martelo...
pois mesmo quando sou fraco
faço-me forte
assim eu sou
nada morno, nada pouco
ou tudo ou nada
sou Tese
sou Antítese
e por fim,
Síntese
CAROLINE SCHNEIDER
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Rara Borboleta

espectro alquímico
predestinado
à transfiguração
mutação de destino
e sombras
borboleta dourada
rebusca ausência
do perfeito casulo
largado à margem
dum passado
tesouro valido
apenas por incontáveis lágrimas
e pelo inestimável
arcabouço de experiências
adquiridas como
presentes
para um novo
e renovado eu
predestinado
à transfiguração
mutação de destino
e sombras
borboleta dourada
rebusca ausência
do perfeito casulo
largado à margem
dum passado
tesouro valido
apenas por incontáveis lágrimas
e pelo inestimável
arcabouço de experiências
adquiridas como
presentes
para um novo
e renovado eu
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