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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Semi deus


Escreve uma história de heroísmo no meu dorso:

começando pelos ombros

e descendo,
vai desafiando meus demônios
e vencendo todos,

até a curva das minhas costas
- estrada tão macia
para o que há tempos fantasias
receber em troca de toda essa luta -

e pontua tatuando a tua boca
no teu prêmio
e dele, desfruta.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Homem Árvore

Corpulento e magnífico
conífero
derrubado sobre mim,
pobre gramínea!

Com voz de carvalho
- grave e inclemente -
ele ordena:

- Prova-me, erva daninha,
que te orvalho!

Estranho sabor
tem seu falo:
sequóia milenar.

Gosto araucário de terra,
raiz tuberosa.

Não sei se o quero:

Sou frágil
como uma rosa!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ANTOLOGIA BAR DO ESCRITOR - EDIÇÃO 2 BRAND

Estou vendendo a 6 reais, já inclusas as despezas do correio normal.
email para pedidos: flavia_perez@hotmail.com

domingo, 15 de agosto de 2010

Mil em uma noite


Dá um pouco de cansaço
dar o que fazer ao Rei,
ocupar bastante a sua agenda,
sua vida e seu espaço.

Tem suas vantagens,
lá isso tem...

Mas eu nunca fui a preferida
do harém.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Del Toro

A Natureza, que é uma Mãe
fez Brad Pitt, no início.

Depois de aperfeiçoar bastante
de à luz Benício.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Concretismo



Meu gato sim, é marginal:

v
  o
    m
     i
     t
     o
     u
   u m

L  e  m  i  n  s  k  i

nesse poema sem sal.

sábado, 15 de maio de 2010

Banquete


No meu blog
tem batatas assando toda segunda,
terça tem feijoada
de carne fumada,
orelha de livro e pé na bunda.

Abro com peixeira quem fizer piada,
mas quarta tem rabada
e quinta tem pacu.

A sexta faz fogueira
e assa canas ao sol
pra dona tem chiboquinha
pra visita brahma, bavaria e skol.

Tem baba de moça
no sábado,
quitute que não lhe cai mal.

Domingo, maminha de alquatro,
cupim queimadinho
bastante pimenta e sal.

Se rimasse melhor que cozinho
e lavasse a palavra
depois de usar
não sobrava nem um tantinho
de tempero pra rimar.

http://tudoqpuderbyblabla.blogspot.com/

segunda-feira, 15 de março de 2010

Exercicícies

Não fosse somente Alice

o que,
além do que se disse,
                                 ela sereia?

Fosse Alice também uma sereia
ela não seria só Alice:
seria uma sereia Alice.

E o que faria Alice nesse caso,
(o de ser menina)
além de meninices?

                       Faria sereialices.

Sereia só é melhor
que somente Alice?

Então melhor sereia
                                    (aquilo)
que uma Alice a litro.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Só ...tão

Vivo abarrotada de almas,
tanto novas quanto usadas,
pra mudar conforme o caso

(se uma suja, jogo fora,
quase nunca lavo).

Algumas são falsa-cor,
vermelhas,
cheias de prendas e laços,
penduricalhos mil costurados,
que já nem sei mais o nome.

–tenho um motivo fajuto
e sempre o sapato perfeito
pras feras que me consomem–

Há uma de esguelha, há outra rodada,
envolta em fuxicos, ismálias
e finas organzas de musas

–amélias no forro, teresas na barra–

há uma fechada, há outra que ousa,
e não tem botões, nem amarras,
rendada com puta de esquina.

(troco a cara e o vestido
quando aquela não mais me fascina).

Em noite de gala,
quando o amor desvestido me despe,
me visto com fendas
e tons de imprevisto.

Acordo no dia seguinte, num sopro,
já pano de vela que encontra
seu porto

- alma á espera, com jeito de corpo -

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ukma cantando meu poema "Aureolada"- Flá Perez



Aureolada

Eu tão anjo tenho andado,
que em mim nasceram asas.

O queme perde pro céu
é esse meu grande rabo
endemoniado

e minhas coxas grossas.

(repostagem de 07/01/08 com vídeo incorporado)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Letras em teu Corpo - Flá Perez


Como Chico Buarque,

fazemos poesia e amor até bem tarde.
E ela acorda cedo de manhã.

Beija minhas costas, me acarinha .
Eu a puxo de volta, vasculho seu corpo,
encosto todo meu desejo nela.

Mulher que penso submissa, abelha rainha ,
se desvencilha e sai apressada.

Durante o dia sinto seu cheiro em minhas mãos,
nos lábios,
refaço cenas, passo a passo.

À noite, quando chego da minha lida,
a encontro na cama,
cabelos molhados, adormecida.
Por um tempo velo seu sono,

- algum tremor passageiro, algum sonho –

Não me contenho: exploro, farejo, beijo.
Minha felina se estica, abre seu sorriso mais lindo,

Abre as pernas e me recebe.
Quente, quente, quente!.
Então começamos tudo de novo...

Ah! vida meio vagabunda essa da gente!
Que não acabe nunca!

(Poema de 2007, meu primeiro com eu-lírico masculino)

domingo, 15 de novembro de 2009

Fanatismo - Flá Perez

Sem qualquer respeito
ou nenhum tato,
sem algo que o impeça
e súbito,

esse clichê de peito cheio invade,
esmorecendo os muros
da ExcentriCidade.

E dói desabrido, chega aos olhos
e num desbordamento tanto,
molha intenso

-corpo escorrendo
ainda
pelas pernas-

É o bicho mais feroz,
um cantochão aflito,
são os meus gritos procurando ecos
nas trajetórias dos cometas mais longínquos

e vibrando inversos,
desarmônicos, malditos.

É ele! Ah, ainda ele!

Um aleijão platônico,
carneando Prometeu na minha frente,
consumindo minha pele, alma,
quintessência jônica.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Inoculado - Flá Perez

Sou meteora, gigantesca,
arrasadora

e ao mesmo tempo
a molécula mais rara
encontrada neste século.

Deixei extraterrestres em seu solo.

E essa rocha cética,
ainda que por fora
pareça estar intacta
já tem a marca venérea
desse impacto.

Multiplica-se
e devagar se espalha,
recombinado em qualquer rima,

pra cair depois na sua veia,
o vírus sulferino
da obra-prima.