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segunda-feira, 2 de abril de 2018

labirintos

as palavras estão para o papel
não quero dispensar mais nada
sem calor, sem frio, sem verbo
as escolhas se calaram com
o assombro do vento
tudo é sal e salitre
o que do mar me sobra
é a sombra do tempo
a onda que não quebrou
as palavras não estão para nada
calaram em algum lugar que não sei
dispersaram antes que eu abrisse
a boca e enrugasse os olhos
as coisas pedem socorro
e eu já desisti de salvar
minotauros dentro de mim
batem cabeças contra paredes
as palavras são monstros.
LM@rq

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

pensa na carne como ilha


escura e transparente
finita e eterna
uma carne-sangue que não pertence
suposta matéria osso e tutano
que fende e apesta
sou a face dessa forma
um encaixe do não encaixa
a carniça manca
presa no desespero



LM@rq

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

se a elegia do homem supera


a rudeza oblíqua do universo afônico
não cale poeta, peço-te, não cale
aventa-te com tuas boas e más palavras
do parapeito do décimo andar
que cada verso seja uma queda brusca
e repentina
rumo ao infinito vago do vazio
LM@rq

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

oculta

pedinte e em chamas
valia-se do silêncio
frio e arrebatado
de quem desistiu

resignada observava
o que mais queria
como quem olha
uma vitrine vazia

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

agrado


visto-me de rendas
se quero-te

meu escravo

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

quinta-feira, 1 de março de 2012

artificial























já não suporto essa natureza frágil

que me inspira amores eunucos

e perfumes presos a lendas

tentei por anos retirar a bonequinha

loura e perfeita que me impuseram

velei e enterrei todas em meu quintal

e de certa forma elas voltam mortas

para atacar essas pequenas verdades

quem dera a beleza não valesse nada

tentei ser Monalisa de sorriso mestiço

sem adornos nos olhos, sem vaidades

seguem-me peitos sal e risos postiços.