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quarta-feira, 9 de abril de 2008

todas as vozes cantam*












PRESENTE DO SUBJETIVO


Tenho tendência pra variedades.
Me visto em quase-outros em função dos entornos.
Absorvo transfomações por contextos.
Possuo um eu pra cada um.
Em verdade, minhas verdades se multiplicam para ajustes.
Na minha mais pura verdade.
Eu jogo de futuros com quem converso.
Minhas mentiras também são puras.
Por isso é que entendo os desentendimentos comigo que tenho.
Pelo mesmo motivo que não entendo os entendimentos que prenho.
Sou meio esponja meio pilha alcalina.
E sigo por outros meios.
O ar que expiro também tem oxigênio.
Toda atmosfera é um pouco promíscua.
E eu: átomo e fera e outros e.
Mas, por ora, só palavras mesmo.
E a esmo.
Mas só por agora.


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* Poema presente no meu livro todas as vozes cantam
a ser lançado na semana que vem. Mais detalhes aqui.

domingo, 9 de março de 2008

PAISAGENS

É de guinadas de maré
esse meu peito, essa mulher,
e tudo que de em volta nos soe paisagem:
a noite fria, a luz ambígua e o amanhã.

(O morno mar recebe o sol,
o gélido pico o lançará.)

sábado, 9 de fevereiro de 2008

SOBRESSALTO EM DOIS TEMPOS

1.
Meus olhos se encharcaram
Mas só a água do rio é que correu
Deve ser porque ela é suja
As águas do meu amor, como são puras
Guardo aqui no peito meu

2.
Alguma poluição deve haver pra forçar tais quedas d'agua
E em muitos casos creio se chamar ela realidade
Tão dura que fura - e tudo que é líquido desliza
Gota a gota (a gota a gota a gota a gota...)
Pelo rosto exposto a um mínimo buraco no sonho

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

QUEDA

A queda faz o pulsar das horas transgredir.
Assim como o caminho, as vontades subvertem-se.
Invertem-se os sentidos e os motivos não divertem.

Ruir,
o resultado indesejado com seu gosto amargo.
Inintensionalmente vai sendo saboreado.
A digestão é lenta, aziática,
requer paciência.

Mas ao desgosto cabe também o destino de todos:
morrer,
desde o nascimento, aos poucos.

domingo, 9 de dezembro de 2007

DESCAMINHO

Lágrima rubra,
suba rosa
como o orvalho
fazendo a hora
voltar o tempo
como me lembro
e como um atalho
lírico e lento.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

CUENCANA

Esqueci o futuro
e o que batia era o corpo
enquanto o coração, parado,
longe de estar morto
não compreendia o próprio estado,
só lhe era claro o escuro.

Assim era, de tristeza e bondade,
o que se servia a meu prato,
o mais rico do mundo e já farto
de antecipada saudade.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

domingo, 9 de setembro de 2007

DO FECHAR DE OLHOS

Eu poderia fechar os olhos
e contar até três:
distância, distância e distância.

Em uma das voltas
escrever um romance impossível
e cantar previsível final.

Na volta seguinte
Vinho, noites e a metafísica
de acordar.

E também é possível voltar,
recontar migalhas de padaria,
reinventar destinos em velhas vias.

Mas eu ainda posso fechar os olhos:
piscar,
dormir,
so-

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

segunda-feira, 9 de julho de 2007

PC: Reino do Rei Nu

até se pode
escrever sobre
o sobre

e ainda assim
fazer-se
entender

há quem
porém, escreva
sobre nada

ou só palavas
no ar
ininteligível

tá na moda
também, escrever
sobre a roupa
do rei

mas gritarei:
"- Hei!
Ele está nu!"
toda vez

sábado, 9 de junho de 2007

QUENTE MEMÓRIA

Quem te levou
quente memória?
O fim que te mora
é frio agora?
Onde queda essa ausência
que em vão demora?

Não sei, não sei.
Não sei da tua hora,
rosto ou seio,
a quem sorri o corpo.
E o olho come alguém?

Não, meu bem, não sofro.
É que a procura de um poema
pede pena, pede pena
e um tantinho de amor também.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

NO VIDRO

outros ônibus perpassam minha cabeça
é um reflexo translúcido e narcísico
do correr da noite às luzes
de dentro, consigo ver a via
mas não conjugo estar
condicionado a esse frio:
as pessoas da cidade vão
sem brio, com breu, sombrio
ou o pacto sempre são
de um bem estar vazio.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

O COMPROMISSO

Ah, o compromisso
de dizer em poesia
dizer, sim, mas sem
a flecha das cartas
e sem o levar omisso
elevar o sentido.

Ah, querido pacto
tão incompreendido
perdido em plásticas
palavras de edifício
arapucas, labirintos
as if is cool.

Ah, contemporâneos sem grafite
o erudito, tenho dito
limpando a meca é submisso
apertem os sintos
e vomitem o rei
que pra que serve eu não sei.