-o que você quer?
-como assim?
-cada dia você quer uma coisa diferente...
-você prometeu estar presente sempre!
-oras, como eu posso saber, se você não me fala!
-você não percebe?
-eu sou menos presente só porque perguntei?
-vc nem enxerga que eu existo.
-vai começar? chega né? cansei, já está na minha hora, preciso sair.
saí da frente do espelho e fui trabalhar.
(texto escrito a quatro patas, com Paco e Luiza Franco)
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terça-feira, 19 de julho de 2011
domingo, 19 de junho de 2011
A outra que sou eu
Passei trinta anos sendo traída.
Sempre a mesma coisa, depois de.
Semanas de cabelo desgrenhado, remedinhos na estante, filmes de amor com lencinho de papel e panela de brigadeiro.
Aí ele apareceu, o casado.
Enroscamos de jeito que não solta mais.
Jeito de bicho.
Vidinha solitária, essa de ser a outra.
Não muito diferente da vida que eu tinha quando era a traída.
Afinal, eles sempre estão com outra.
Sendo assim, não importa o lado em que estou.
Interessante foi o que aconteceu comigo.
Foi como atravessar uma catraca de metrô, onde você tem que tirar a roupa, o espírito e o falso moralismo -claro- pra entrar no trem.
Entrei medrosa nesse novo estar.
Silêncios, segredos, cautela, discrição, semi-discrição na sorte de que nunca. Né.
É tenso.
Amante tem que ser confiante.
Bonitona, gentil, simpática, segura de si, sabe?
Um jeito irônico de trabalhar o amor próprio.
Traída tem olheira, lava louça, corta unha do pé.
Eu não.
Não mais, né.
Agora é lingerie, restaurante, salão, champagne.
Passeios inesquecíveis, beijos ardentes.
Ele sempre pensando que eu vou fugir.
Que eu tenho muitos outros, isso e aquilo.
Agora acho que eu sou sensual.
Brega essa palavra né?
Ufa! Até que enfim!
Sempre a mesma coisa, depois de.
Semanas de cabelo desgrenhado, remedinhos na estante, filmes de amor com lencinho de papel e panela de brigadeiro.
Aí ele apareceu, o casado.
Enroscamos de jeito que não solta mais.
Jeito de bicho.
Vidinha solitária, essa de ser a outra.
Não muito diferente da vida que eu tinha quando era a traída.
Afinal, eles sempre estão com outra.
Sendo assim, não importa o lado em que estou.
Interessante foi o que aconteceu comigo.
Foi como atravessar uma catraca de metrô, onde você tem que tirar a roupa, o espírito e o falso moralismo -claro- pra entrar no trem.
Entrei medrosa nesse novo estar.
Silêncios, segredos, cautela, discrição, semi-discrição na sorte de que nunca. Né.
É tenso.
Amante tem que ser confiante.
Bonitona, gentil, simpática, segura de si, sabe?
Um jeito irônico de trabalhar o amor próprio.
Traída tem olheira, lava louça, corta unha do pé.
Eu não.
Não mais, né.
Agora é lingerie, restaurante, salão, champagne.
Passeios inesquecíveis, beijos ardentes.
Ele sempre pensando que eu vou fugir.
Que eu tenho muitos outros, isso e aquilo.
Agora acho que eu sou sensual.
Brega essa palavra né?
Ufa! Até que enfim!
terça-feira, 19 de abril de 2011
uma história real surreal
acordei com um vestido (que não era meu) todo molhado, com o pé cortado, abraçada numa vassoura e um disco dos Beatles (original!!! ai que vontade de roubar! não posso! vou! não posso!), na casa de sei lá quem. mas que p..... casa de gente rica, com piscina, um silêncio danado em pleno meio-dia. mas que m.... fui descendo a escada e tinha um cara sentado num sofá lendo jornal. ai que lindão. será que eu dormi com esse aí? -Olá, bom dia. Está se sentindo melhor? -Ah, sim. É...qual o seu nome? Desculpe. -É. Peraí, você não lembra de nada? -Humm, não moço. Desculpa. -Imaginei. Chamei um táxi para você. Está te esperando lá fora. Tenha um bom dia. -Humm, ah, obrigada. É. Posso fazer uma pergunta? ele só levantou a sombrancelha. -A gente....? - eu levantei a minha sombrancelha. -Não, definitivamente eu jamais dormiria com alguém que mordeu meu cachorro. -Humm, nossa. Virei as costas e ainda saí da casa dele andando toda metida, naquele vestido que devia ser da mãe dele provavelmente, pela expressão de ódio na cara do rapaz. Nessas horas, leitor, o melhor a se fazer é não fazer nada.
sábado, 19 de março de 2011
dos feriados
Atropelei uma família sem querer (juro) na saída do shopping, à noite, e ninguém viu.
Todos lá, caídos, com seus pacotinhos de Mc Donald's gritando e me xingando (ufa!) muito.
O que me deixou bem tranquilo, claro, não matei ninguém.
Saí do carro, perguntei se estavam bem.
-Não está vendo, seu *¨#!??? Faça alguma coisa!
Chamei a polícia, a ambulância, o Detran, meus pais e um advogado.
Sentei na calçada perto deles.
E olha só, que sorte.
Não atropelei as batatinhas.
Estavam deliciosas.
Todos lá, caídos, com seus pacotinhos de Mc Donald's gritando e me xingando (ufa!) muito.
O que me deixou bem tranquilo, claro, não matei ninguém.
Saí do carro, perguntei se estavam bem.
-Não está vendo, seu *¨#!??? Faça alguma coisa!
Chamei a polícia, a ambulância, o Detran, meus pais e um advogado.
Sentei na calçada perto deles.
E olha só, que sorte.
Não atropelei as batatinhas.
Estavam deliciosas.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
das coisas repetidas
-o que a gente faz quando percebe que a pessoa que a gente ama está nos esquecendo?
-some.
-mas aí ele me esquece de vez.
-juro. o melhor que pode fazer agora, é sumir.
-mas e o que eu sinto?
-como se você nunca tivesse sofrido por alguém, né querida. some.
e ela sumiu. e ele veio me procurar irritado, perguntando o que tinha acontecido, que só podia ter sido coisa minha.
-não querido, ela nem falou comigo, simplesmente sumiu. por que essa pergunta? você mesmo me disse que estava enjoado dela.
no que eu vi a centelha sacana da paixão brotar nos olhos do mancebo.
ai que chato, que os séculos passam e os homens continuam tão iguais.
-some.
-mas aí ele me esquece de vez.
-juro. o melhor que pode fazer agora, é sumir.
-mas e o que eu sinto?
-como se você nunca tivesse sofrido por alguém, né querida. some.
e ela sumiu. e ele veio me procurar irritado, perguntando o que tinha acontecido, que só podia ter sido coisa minha.
-não querido, ela nem falou comigo, simplesmente sumiu. por que essa pergunta? você mesmo me disse que estava enjoado dela.
no que eu vi a centelha sacana da paixão brotar nos olhos do mancebo.
ai que chato, que os séculos passam e os homens continuam tão iguais.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
das considerações
-eu tenho bipolaridade.
-humm - respondi sem expressar nada, e já imaginei ela gritando e chorando e rindo em seguida ai meu deus o trabalho acumulando credo mas que merda agora que eu já dispensei as outras duas candidatas merda merda!
-mas eu tomo remédio.
-uhum - pronto, a merda tá feita...ô desculpinha mal dada pra fazer cagada e não precisar pedir desculpas....
-a senhora não liga?
-que remédio você toma?
-rivotril.
-ah! mas esse eu também tomo! tá contratada!
-humm - respondi sem expressar nada, e já imaginei ela gritando e chorando e rindo em seguida ai meu deus o trabalho acumulando credo mas que merda agora que eu já dispensei as outras duas candidatas merda merda!
-mas eu tomo remédio.
-uhum - pronto, a merda tá feita...ô desculpinha mal dada pra fazer cagada e não precisar pedir desculpas....
-a senhora não liga?
-que remédio você toma?
-rivotril.
-ah! mas esse eu também tomo! tá contratada!
domingo, 19 de dezembro de 2010
das coisas que acontecem
veio e me disse,
do alto de seu ego
que eu era o prego
do seu sapato
pois bem eu lhe digo
que um prego fora da sola
serve ainda para muita coisa!
e o sapato,
continua sapato.....
(Colegas Manufatores: Obrigada por mais um ano de companhia e carinho, vocês são incríveis! Adorei encontrá-los em outros espaços virtuais -e reais-, obrigada pela força que vocês deram na divulgação do lançamento do meu 3° livro, muack muack! Amo-lhes com alho...)
do alto de seu ego
que eu era o prego
do seu sapato
pois bem eu lhe digo
que um prego fora da sola
serve ainda para muita coisa!
e o sapato,
continua sapato.....
(Colegas Manufatores: Obrigada por mais um ano de companhia e carinho, vocês são incríveis! Adorei encontrá-los em outros espaços virtuais -e reais-, obrigada pela força que vocês deram na divulgação do lançamento do meu 3° livro, muack muack! Amo-lhes com alho...)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Have a Nietzsche Day
-Olá, bom dia.
-Só se for pra você.
-Quero um café sem moral e um pão de queijo de verdade subjetiva. Bem mentiroso, se tiver.
-Sinto muito, senhor, só tenho sonhos de luxúria.
-Ah, pode ser. Deus não existe mesmo.
-Discordo, mas enfim. São 3 Reais.
-Pague você. Cada homem depende de si mesmo.
-Desculpe, senhor, mas não tenho troco pra nihilismo.
-Mas...aqui não é a padaria do Nietzsche?
-É sim, mas sabe como é, a globalização. A comida é dele, a loja é do Heidegger, mas quem cuida da grana é o Husserl.
-Tinha que ser judeu.
-Antes judeu que existencialista.
-Não entendi.
-Não é pra entender. Pague e dê o fora. Antes que eu chame os positivistas.
-Ei, calma lá, tô saindo.
-É cada um que me aparece!
-Só se for pra você.
-Quero um café sem moral e um pão de queijo de verdade subjetiva. Bem mentiroso, se tiver.
-Sinto muito, senhor, só tenho sonhos de luxúria.
-Ah, pode ser. Deus não existe mesmo.
-Discordo, mas enfim. São 3 Reais.
-Pague você. Cada homem depende de si mesmo.
-Desculpe, senhor, mas não tenho troco pra nihilismo.
-Mas...aqui não é a padaria do Nietzsche?
-É sim, mas sabe como é, a globalização. A comida é dele, a loja é do Heidegger, mas quem cuida da grana é o Husserl.
-Tinha que ser judeu.
-Antes judeu que existencialista.
-Não entendi.
-Não é pra entender. Pague e dê o fora. Antes que eu chame os positivistas.
-Ei, calma lá, tô saindo.
-É cada um que me aparece!
terça-feira, 19 de outubro de 2010
A Paco não pode escrever hoje porque levou uma picada de vespa e está no hospital (ela é alérgica a insetos).
Aí ela me pediu por telefone pra eu vir aqui e escrever que isso é praga, porque ela sempre escreve no dia 10 e dessa vez deixou pro dia 19 e se deu mal.
Eu não entendi nada, mas fica o recado.
Um abraço aos manufatores, e obrigado pela compreensão.
Ah, ela disse pra não ligarem pra ela porque ela não tem como atender (não tem mesmo, porque eu fiquei com o celular dela na mochila....ela vai me matar!)
Aí ela me pediu por telefone pra eu vir aqui e escrever que isso é praga, porque ela sempre escreve no dia 10 e dessa vez deixou pro dia 19 e se deu mal.
Eu não entendi nada, mas fica o recado.
Um abraço aos manufatores, e obrigado pela compreensão.
Ah, ela disse pra não ligarem pra ela porque ela não tem como atender (não tem mesmo, porque eu fiquei com o celular dela na mochila....ela vai me matar!)
domingo, 19 de setembro de 2010
Confidências & Considerações
1- quando me chamaram pra escrever aqui no blog eu escolhi dia 19, mas nunca escrevo no dia 19 porque eu esqueço. tenho que escrever antes, na primeira dezena do mês, entre o dia 1 e 10 (11 nunca, eu disse, de 1 a 10), e aí eu programo e fico esperando e isso me dá uma puta ansiedade com gastrite. tenho que voltar a escrever no dia 18. marcar na agenda, no relógio, sei lá.
2 - quando um cara não te liga é porque ele realmente não quer nada com você. sem essa de pensar que a avó morreu, que ele bateu o carro, ou que ele e a avó morreram num acidente de carro. vá para a cozinha, prepare um brigadeiro de panela e seja feliz.
3 - quando algo ruim acontece e a gente está com algum amigo altamente espiritualizado super up pop cool que ganhou todas as extra balls nos joguinhos da sociedade contemporânea, ele sempre diz que a gente merece a merda que nos aconteceu, ou que atraiu isso, ou que emanamos algum tipo de energia para o mundo e a resposta foi essa e blábláblá. se alguém descobrir que energia eu tenho que emanar pra afastar gente idiota, me fala.
4 - eu não sei se isso que escrevi pode ser considerado literatura, que é logicamente a intenção do blog, mas nas aulas com o Cristóvão Tezza ele dizia que até bula de remédio podia ser considerada como tal, eu particularmente gosto muito de ler bula e rótulo de shampoo e imaginar o que as "inas" e "onas" fazem no meu estômago e no meu cabelo ou o contrário, depende do dia é claro. se alguém se incomodou com o teor literário do texto, então vamos contextualizar que é um estudo sobre a prosódia bop do Kerouac, ou então uma reflexão típica de inferno astral desconjunturado premeditado por um bode místico que me telefonou lá do Tibet e disse que tinha que ser assim.
2 - quando um cara não te liga é porque ele realmente não quer nada com você. sem essa de pensar que a avó morreu, que ele bateu o carro, ou que ele e a avó morreram num acidente de carro. vá para a cozinha, prepare um brigadeiro de panela e seja feliz.
3 - quando algo ruim acontece e a gente está com algum amigo altamente espiritualizado super up pop cool que ganhou todas as extra balls nos joguinhos da sociedade contemporânea, ele sempre diz que a gente merece a merda que nos aconteceu, ou que atraiu isso, ou que emanamos algum tipo de energia para o mundo e a resposta foi essa e blábláblá. se alguém descobrir que energia eu tenho que emanar pra afastar gente idiota, me fala.
4 - eu não sei se isso que escrevi pode ser considerado literatura, que é logicamente a intenção do blog, mas nas aulas com o Cristóvão Tezza ele dizia que até bula de remédio podia ser considerada como tal, eu particularmente gosto muito de ler bula e rótulo de shampoo e imaginar o que as "inas" e "onas" fazem no meu estômago e no meu cabelo ou o contrário, depende do dia é claro. se alguém se incomodou com o teor literário do texto, então vamos contextualizar que é um estudo sobre a prosódia bop do Kerouac, ou então uma reflexão típica de inferno astral desconjunturado premeditado por um bode místico que me telefonou lá do Tibet e disse que tinha que ser assim.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Da solidão
(Para ler e ouvir)
A solidão é cínica.
Ela escolhe algumas pessoas pra dividir seu tempo.
Quando ela me escolheu, eu ainda era criança.
Eu ouvia os adultos falando sobre ela, e achava bonito.
Que bonito, chorar com a chuva, sozinho.
Que idiota.
Se eu soubesse que essa paisagem ia se repetir tantas vezes.
Normalmente dizem que as pessoas ruins são solitárias.
Eu não me acho ruim.
Eu só tive azar.
A solidão da qual eu estou falando não é essa mais ou menos que você pensa, não.
Mas também não é aquela solidão dos velhos do asilo que eu visito.
É uma solidão safada.
Que vai comprar pão, some, e volta quando você está bem feliz.
Tranquilo.
Sabe o que é não ter NINGUÉM pra conversar.
No seu melhor e no seu pior.
Quando chove, daquele mesmo jeito de quando eu era pequeno, o mundo acaba.
Solidão é pra quem aguenta.
Eu preferia sentir dor.
Morrer de câncer.
Do que ser esse solitário filho da puta.
Desse eterno silêncio.
Silêncio contínuo não enlouquece, como tanta gente pensa.
Te deixa mais racional ainda, e aí é que você enlouquece de vez.
sábado, 19 de junho de 2010
A FESTA
Era uma festa pequena. Fechada. Sempre no fim de um semestre. Gente importante. Negócios. Uma surpresa no final da reunião. O anfitrião da vez escolhia. Idéia do diretor. Relaxar os ânimos.
Chegou a hora. Todos curiosos. O mais velho esfregava as mãos. Meu chefe sorriu. Tinha culpa nos olhos.
A porta lateral abriu. Uma moça entrou. Era ela. Sem dúvida. Colocaram uma música de fundo. Ela me viu. Procurei uma porta para sair. Ela começou. Fugi discretamente. A tempo. Fiquei na sala ao lado. Esperei acabar. Ouvi os risos. O tilintar dos copos. Os elogios do bom serviço. Dela. E voltei.
Procurei-a com os olhos. Estava na porta. Indo embora.
Chamou-me com o dedo. Andei devagar. Era ela mesmo.
- Não fique assim. Meu pai sabe.
- Eu sei que ele sabe.
Chamou-me com o dedo. Andei devagar. Era ela mesmo.
- Não fique assim. Meu pai sabe.
- Eu sei que ele sabe.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
dos "maus" entendidos
Há uns bons 5 anos que ninguém me desejava Feliz Aniversário.
E aí era sempre a mesma coisa: eu colocava o celular pra despertar e fingia atender pessoas que me amavam, um amor antigo ou um familiar próximo inexistentes.
Mas naquele dia nem isso eu fiz, por preguiça ou tristeza mesmo.
Dentro do meu novo círculo social não menos insuportável que os outros, inventei que era filha única e órfã, tanto porque é quase mais ou menos isso mesmo, e aí nem tinha o que ou quem atender.
No finalzinho do dia, ele entrou no meu escritório e disse, tímido, Feliz Aniversário, querida.
Comovida, o abracei e deixei escapar um suspiro em seu ombro, até que enfim alguém lembrou, alguém viu que eu existo, pensei.
Ele, que não entendeu nada, entendeu tudo errado e pegou na minha bunda.
E aí era sempre a mesma coisa: eu colocava o celular pra despertar e fingia atender pessoas que me amavam, um amor antigo ou um familiar próximo inexistentes.
Mas naquele dia nem isso eu fiz, por preguiça ou tristeza mesmo.
Dentro do meu novo círculo social não menos insuportável que os outros, inventei que era filha única e órfã, tanto porque é quase mais ou menos isso mesmo, e aí nem tinha o que ou quem atender.
No finalzinho do dia, ele entrou no meu escritório e disse, tímido, Feliz Aniversário, querida.
Comovida, o abracei e deixei escapar um suspiro em seu ombro, até que enfim alguém lembrou, alguém viu que eu existo, pensei.
Ele, que não entendeu nada, entendeu tudo errado e pegou na minha bunda.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O Casarão
Quando era mais jovem costumava me assemelhar a um pé de manga, onde meus frutos, dependurados, ou caíam maduros na cabeça de algum passante, ou apodreciam de velhos, pois digamos que a minha localização era dúbia, ou qualquer coisa que se julgue distante o suficiente para não ser encontrada.
Uma árvore de tronco espinhento, onde os poucos que se aventuravam a subí-la tinham os pés e mãos cortados num misto de dor e delícia.Mas ser mangueira não é lá muito conveniente, pois além de fixa, é algo que um dia alguém sempre irá cortar para dar espaço à outro empreendimento, e foi assim mesmo.
No lugar da mangueira, foi construído um casarão.
Há que ser fixo, sempre, quem toma a fidelidade e a lealdade como prumo de um barco, mesmo que à deriva.
E hoje, como todo bom casarão, solitário e porque não atrevido em meio à modernidade que se levanta, assim eu passo, passo a passo, pela vida dos outros, e da minha própria.
Um casarão onde os mais velhos passam pela frente e respiram nostalgia, das festas antigas, dos velhos amores fracassados, das noites em vão. Onde os mais novos perdem suas bolas de futebol e num misto de dúvida e medo entram valentes, mas não acham nada. Não há o que ser achado em uma casa abandonada. Às vezes.
Um casarão de telhas quebradas, com janelas inteiras, e uma porta com um brasão de uma família que não existe mais, por inconsequência de atitudes alheias ou simplesmente porque o destino quis, como tantos gostam de acreditar.
E assim passo meus dias como velha construção, onde os fantasmas descem sorridentes pelas escadas em seu vai-e-vem inconstante, onde o chá dorme grudado nas xícaras, onde os bailes de outrora hoje dormem desfocados, onde há silêncio, lembranças e nenhuma saudade.
Uma árvore de tronco espinhento, onde os poucos que se aventuravam a subí-la tinham os pés e mãos cortados num misto de dor e delícia.Mas ser mangueira não é lá muito conveniente, pois além de fixa, é algo que um dia alguém sempre irá cortar para dar espaço à outro empreendimento, e foi assim mesmo.
No lugar da mangueira, foi construído um casarão.
Há que ser fixo, sempre, quem toma a fidelidade e a lealdade como prumo de um barco, mesmo que à deriva.
E hoje, como todo bom casarão, solitário e porque não atrevido em meio à modernidade que se levanta, assim eu passo, passo a passo, pela vida dos outros, e da minha própria.
Um casarão onde os mais velhos passam pela frente e respiram nostalgia, das festas antigas, dos velhos amores fracassados, das noites em vão. Onde os mais novos perdem suas bolas de futebol e num misto de dúvida e medo entram valentes, mas não acham nada. Não há o que ser achado em uma casa abandonada. Às vezes.
Um casarão de telhas quebradas, com janelas inteiras, e uma porta com um brasão de uma família que não existe mais, por inconsequência de atitudes alheias ou simplesmente porque o destino quis, como tantos gostam de acreditar.
E assim passo meus dias como velha construção, onde os fantasmas descem sorridentes pelas escadas em seu vai-e-vem inconstante, onde o chá dorme grudado nas xícaras, onde os bailes de outrora hoje dormem desfocados, onde há silêncio, lembranças e nenhuma saudade.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Olha o livro aí, minha gente, vamos chegando!
Opa lá lá, 30 segundos do seu tempo.
Depende da sua conexão também.
Só tenho mais 20s.
Tá.
Eu e o Domit vamos lançar nosso livro querido semana que vem, no Rio de Janeiro.
Sei que tem gente do Rio aqui no blog, quero conhecê-los! Ou re-conhecê-los!
Vamos vamos vamos?
Agora, se você tiver mais um tempinho, pode ler esse texto aí embaixo, que não está no livro, mas foi inspirado e eu acho que vale!
(mais um texto com várias interpretações e passível de discussões sem fundamento)
Amo-lhes com alho,
Paco
Boas decisões em momentos certos
Recebi a notícia da morte dele por telefone, num lugar impróprio, de uma pessoa que detesto.
Acho que isso deixou a notícia ainda mais feia.
Não sei o que eu fiz com o celular, algumas pessoas me pararam no meio do caminho (qual caminho?) para perguntar o que tinha acontecido, empurrei-as todas, xinguei outras, que saco.
Fui até o banheiro pra chorar em paz, mas aí, quer saber, que saco tudo isso, vou embora.
Chamei o elevador, demorou pra subir, fui até à janela, era alto, e me matei ali mesmo.
Acho que isso deixou a notícia ainda mais feia.
Não sei o que eu fiz com o celular, algumas pessoas me pararam no meio do caminho (qual caminho?) para perguntar o que tinha acontecido, empurrei-as todas, xinguei outras, que saco.
Fui até o banheiro pra chorar em paz, mas aí, quer saber, que saco tudo isso, vou embora.
Chamei o elevador, demorou pra subir, fui até à janela, era alto, e me matei ali mesmo.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
A EX
Já era a terceira vez que ele dizia que a sua ex isso, que a sua ex aquilo, a musa do sexo, a deusa vaginal, aquela lenga-lenga toda.
Procurei o endereço da vadia na gaveta. Achei fácil... fui lá.
-Você, aqui? O que você quer?
Segurei-a pelo cabelo para ela não fugir, e meti a língua no meio da boca dela.
A pilantra devia ser bi, porque nem reagiu.
Transamos ali na sala mesmo, e acho que o meu namorado não deu muito nela não, de tanto que gritou e gozou. Uma cadela.
Me vesti depressa, a vadia sorrindo no chão.
-Onde você vai?
-Sei lá, não enche.
Voltei pra casa e terminei com o corno.
Realmente a maldita dava melhor do que eu.
Os dois chorando pela mesma mulher? Não dá.
Procurei o endereço da vadia na gaveta. Achei fácil... fui lá.
-Você, aqui? O que você quer?
Segurei-a pelo cabelo para ela não fugir, e meti a língua no meio da boca dela.
A pilantra devia ser bi, porque nem reagiu.
Transamos ali na sala mesmo, e acho que o meu namorado não deu muito nela não, de tanto que gritou e gozou. Uma cadela.
Me vesti depressa, a vadia sorrindo no chão.
-Onde você vai?
-Sei lá, não enche.
Voltei pra casa e terminei com o corno.
Realmente a maldita dava melhor do que eu.
Os dois chorando pela mesma mulher? Não dá.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Merry Fuckin Xmas
*1
-E aí, como vai passar o fim de ano?
-Ah...no Natal eu vou no mercado, compro um frango, desses de rolete mesmo, eu não sei fazer peru. Uma Coca também. Daí eu como sozinha, vendo TV. Às vezes alguém almoça comigo no dia 25. Do dia 26 até o dia 30 eu fico chorando, aí no dia 31 eu penso em me matar. Sempre assim. E você?
*2
- Feliz Natal!
- Você sempre esquece que eu sou judeu.
- ah....Feliz Natal mesmo assim!
- Mas eu... a gente não comemora!
- Jesus vai ficar triste se te ouvir falando isso!
- Como bom judeu que era, acho que ele te mandaria à merda.
*3
- Adoro festa de Ano Novo!
- Olha, o vizinho vai acender os fogos!!
- Que lindo!
- Ai meu Deus, ele ficou preso!
THE END
(Qualquer semelhança com fatos reais será mera coincidência. Ou não.)
-E aí, como vai passar o fim de ano?
-Ah...no Natal eu vou no mercado, compro um frango, desses de rolete mesmo, eu não sei fazer peru. Uma Coca também. Daí eu como sozinha, vendo TV. Às vezes alguém almoça comigo no dia 25. Do dia 26 até o dia 30 eu fico chorando, aí no dia 31 eu penso em me matar. Sempre assim. E você?
*2
- Feliz Natal!
- Você sempre esquece que eu sou judeu.
- ah....Feliz Natal mesmo assim!
- Mas eu... a gente não comemora!
- Jesus vai ficar triste se te ouvir falando isso!
- Como bom judeu que era, acho que ele te mandaria à merda.
*3
- Adoro festa de Ano Novo!
- Olha, o vizinho vai acender os fogos!!
- Que lindo!
- Ai meu Deus, ele ficou preso!
THE END
(Qualquer semelhança com fatos reais será mera coincidência. Ou não.)
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