Beagles são usados por forças policiais por terem bom olfato. Será que os ativistas resgatarão cães usados por policiais mundo afora?
Embora outros fatos relevantes tenham acontecido no Brasil e no mundo desde a desastrosa invasão do Laboratório Royal por ativistas, acredito ainda que vale a pena discutir esse assunto.
O Brasil está entrando em um caminho perigoso: movido pela inércia do Judiciário e pela corrupção que campeia o Executivo e o Legislativo, a população resolveu não esperar e fazer justiça com as próprias mãos.
O problema é o que cada um entende como justiça.
Nessa semana, dezenas de ativistas pelos direitos dos animais invadiram um laboratório particular legalmente credenciado e roubaram 178 beagles que ali estavam a serviço da ciência; junto com os animais, destruíram também documentos e equipamentos. A alegação era a de que o laboratório torturava os animais e de que o Ministério Público não se pronunciava a respeito.
A primeira vista, é fácil ficar do lado dos ativistas. No entanto, basta um pouco de discernimento e de pé no chão para perceber que a atitude deles prejudicou até mesmo a causa que apoiavam, a de que o Laboratório Royal maltratava os bichos. Agora, sem os animais e os documentos, provavelmente o processo (penal?) será extinto por falta de provas.
Pergunto-me também se o laboratório tivesse convocado cientistas e simpatizantes para fazer frente a invasão. Ou seja: em vez de o Judiciário definir a questão, tudo pareceria se resolver com os grupos se digladiando. Mais Idade Média, impossível.
Não sou especialista em biologia e por isso não posso afirmar se é mesmo possível substituir os animais em toda e qualquer pesquisa. Particularmente, creio que não: programas de computador não me parecem capazes de prever as nuances de cada substância inoculada em um organismo vivo. Os mamíferos em geral são escolhidos para experiências em laboratório justamente por causa disso, visto que sua biologia interna é muito parecida com a dos humanos: todos têm sistemas respiratórios, circulatórios e reprodutivos com os mesmos órgãos que as pessoas.
Em todos os portais de notícias a invasão foi um dos principais assuntos da semana. No Yahoo, que eu costumo acompanhar mais por causa de meu e-mail, foi fácil perceber que cerca de 70% das pessoas que comentavam a notícia apoiavam os ativistas; questionados por alguns dos 30% restantes sobre como os cientistas pesquisariam novos medicamentos sem os animais, as respostas foram estarrecedoras: que se usassem então presidiários.
Embora certamente muitas pessoas não sejam dignas de serem tratadas como humanos, não é rebaixando-as ainda mais que a humanidade evoluirá. Uma das últimas pessoas a levar a sério os experimentos com humanos foi o médico nazista Josef Mengele, e a simples palavra “nazista” ao lado de seu nome já nos faz imaginar as consequências de tais experiências. Ou seja, boa parte dos ativistas parece mesmo acreditar que o melhor é que se usem seres humanos para tais experiências, inclusive não se importando com a eventual morte de tais pessoas. Pretendem criar uma nova ordem mundial e boa parte não se importaria em copiar a ideologia eugenista dos nazistas para tanto.
Em suma, estamos bem de ativistas, hein?
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
A dieta do papai *
"Querida, descobri uma coisa legal para perder peso."
"Que bom! O que é?"
"Quando eu cozinho, eu como menos, não sei por quê."
"Sim, querido, quando você cozinha, todo mundo come menos."
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* Publicado originalmente nos Minimínimos
(http://miniminimos.blogspot.com)
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Notável
Naquela noite que se fez outro dia, a lua estava tão
cheia, de si própria, que mesmo depois de o sol ter se aprumado, ostentoso, ela
ainda desviava a atenção de muitos desavisados.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Fogo, consequências e alguma adoração
“En el fondo, todas las mujeres son putas y quieren que se las trate como putas…
¡Mezclado con un poco de adoración!” (Anaïs Nin - Henry y June)
Deixei de lado as conversas e algumas redes sociais nas quais me entretia deitada na cama, cansada, mas insone. Acontece muito comigo, o corpo pede descanso, mas a cabeça continua inquieta, as idéias pululam. Foi pensando nas possibilidades de não-sei-o-quê que as horas multiplicaram-se, nem vi o sol nascer. Com o calor matinal, adormeci.
...
Chamou uma, duas, três vezes, abri os olhos e ele estava lá, não posso negar que gostei de vê-lo, mesmo depois de tanto tempo, ainda não me acostumei com seus hábitos, sumia repentinamente e da mesma forma retornava aos meus olhos, à minha boca...
-Bom dia.
-Bom dia...
Conferi o relógio, dez da manhã, como gostaria de ter dormido mais!
Na verdade, eu sempre o recebia meio na defensiva, enciumava-me e pensava em perguntar por onde e com quem andou no tempo em que estivera ausente. "Preciso ser mais dura, isso sim!" - prescrevia-me mil mudanças de comportamento, mas nunca conseguia tal façanha. Bastava que a inspiração voltasse para que meu espírito se enchesse de alegria e de uma vontade inconfessa de dizer-lhe apenas que "não há orgulho no mundo que vença a necessidade que sinto de seu toque, ela é tão grande que, em certas noites, converte-se em uma dor física vinda não sei de onde."
Tanto me disseram para não brincar com fogo! Não adiantou, agora é preciso aguentar: o corpo queimando e o coração ardendo são apenas consequências.
-Como você está?
-Com sono...
Afundei a cara no travesseiro, tinha consciência do estado de desordem de meus cabelos, nem eu me animava com minha própria aparência pela manhã. Ele esboçou um sorriso, mas falou sério:
-Então eu vou ter que acordar você.
Respondi com um não prolongado e puxei o lençol, quase escondendo o rosto. Teimoso como só ele, puxou de volta, descobriu-me e aproximou-se.
-Pensei que não queria mais saber de mim...
-Deixa disso.
-Mas é, estava tão distante e...
-Agora estou aqui.
Beijou-me os ombros e o pescoço, sendo terno e ao mesmo tempo quente, ele fazia com que todas as outras coisas do mundo se tornassem secundárias, mas eu sabia que não deveria acumular expectativas para além do momento de entrega. Encarava-me antes e depois de aceitar a boca que eu lhe oferecia, como numa transição, minha ansiedade dava lugar ao desejo crescente e eu deixava sempre que me lesse do início ao fim. Deslizou as mãos em meu busto, por cima do short doll verde, sentiu como me arrepiava os mamilos, meu tesão era a resposta que buscava. Encontrou, satisfeito.
-Deixa-me ver esses seios lindos...
-Não, você prefere os menores, eu li!
-Cala a boca!
Era gostoso dever-lhe alguma obediência, despia-me habilmente e eu sabia que só pensava em como encaixar-se em meu corpo da melhor forma. Afastando-me as pernas, mergulhava em meu sexo e recolhia meu prazer na ponta da língua - assim ele me dava sua adoração.
***
domingo, 1 de dezembro de 2013
Medusa
as pétalas de seus olhos desceram
por minha rubra face
instalaram-se entre minhas clavículas
como aperto de polegares em asfixia
ver o que vi em todas as outras
e não supor que era assim tão óbvia
só nos ferem os que amamos
mea culpa, não tomei
nenhuma precaução
quebro uma promessa que fiz e peço
que me deixe agora
que não congele minhas resistências
nem estilhace o que restou
um espinho ainda está na garganta
não me olhe mais,
nunca mais
quero permanecer pedra
por saber que mal maior é a esperança
sábado, 30 de novembro de 2013
(O)
Onde o som bate as palavras no interior do ouvido interno, é o que
ouvimos enquanto lemos. Mesmo sem ler ou escrever com som, escrever é uma extensão
de o ser: interior de (o) ser, interior do ser, interior ao ser. Seja, disse.
Fazer – Dezembro
Fazer – Dezembro
(O) – Novembro
Caso – Outubro
Mistura – Setembro
Dogma – Agosto
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Vaga de emprego na TV: anão para programa de auditório
Pré-requisito: autoestima menor do que a altura.
sábado, 23 de novembro de 2013
Acidente
imagem: camerART
Morreu gente
morreu gente no acidente
gente olhando
comentando
uns filmando
outros rezando
o resgate trabalhando
enquanto a gente observa
o que foi um veículo
o que foi gente
o que foi.
Todo dia morre gente.
O resgate é rápido
a morte é imediata
e a dor é certa
da gente que fica olhando
da gente que fica.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Povo das sombras
O povo das sombras aparece sempre no mesmo horário,
junto com as sombras, assim que o sol nasce. Sempre muito cedo, ainda na
madrugada, mas, aparentemente, sem nenhuma ajuda de qualquer deus.
Preparam seu café antes de você acordar, limpam o
escritório antes de você chegar, colocam o ônibus para rodar antes de você se
aglomerar ao congestionamento... Ligam os motores e preparam a cidade para você
só chegar e sentar na janelinha, exigindo serviço de bordo.
E você nem ao menos os enxerga, faz questão de desviar
o olhar.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Aprendizado
Aprenda menino
faça direito
há um bom futuro
num curso que dê dinheiro
Aprenda menino
dê a mão a palmatória
foi assim que seus avós
escreveram nossa história
Aprenda menino
tire sempre altas notas
há uma cinta na vermelha
abraços e sorrisos na cola
Aprenda menino
nós construímos esse mundo
faça só o que queremos
que você herdará tudo
Joakim Antonio
Imagem: Pawel Kuczynski
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