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JOÃO HÉLIO FERNANDES
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João Hélio Fernandes
ISABELLA NARDONI
João Hélio Fernandes
Isabella Nardoni
ELOÁ PIMENTEL
Isabella Nardoni
Eloá Pimentel
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Eloá Pimentel
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domingo, 16 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Refletindo Silêncio
Para longe de mim
Equilibrando-me
sobre o fio esticado
entre sonho e juízo
prestes a estatelar-me
na rudeza dos fatos
prestes a alçar vôo
rumo a pouso impreciso
Para longe de mim
A ressonância da tua voz
provoca tremores
muda o curso da libido
no murmúrio raso
do discurso fluido que escorre
para minhas profundezas
Para longe de mim
Que a figura
debruçada na janela irreal
seja a imagem colhida
pela menina em meus olhos
a ostentar indiferença
Estrela longínqua
refletindo silêncio
no mar
Iriene Borges
Equilibrando-me
sobre o fio esticado
entre sonho e juízo
prestes a estatelar-me
na rudeza dos fatos
prestes a alçar vôo
rumo a pouso impreciso
Para longe de mim
A ressonância da tua voz
provoca tremores
muda o curso da libido
no murmúrio raso
do discurso fluido que escorre
para minhas profundezas
Para longe de mim
Que a figura
debruçada na janela irreal
seja a imagem colhida
pela menina em meus olhos
a ostentar indiferença
Estrela longínqua
refletindo silêncio
no mar
Iriene Borges
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
As três mães

Agradece, criança
cada dia teu
às três mães que tem.
À que te balança
à que vê do céu
e à outra que não convém.
Agradece, criança
às três protetoras
que te fizeram luxo:
Quem cuida por bonança
quem cuida todas as horas
e a que te guardou no bucho
Agradece, criança
quem acompanha teu fado.
Pois conhecem tua oração
- não quem no mundo te lança -
mas a que perdoa pecado
e quem ama por opção.
(Matheus Costa)
sábado, 8 de novembro de 2008
Para plantar lembrança

Não tem mais tic tac
Os relógios correm digitais
Até o merthiolate
Quando uso já não me arde mais
Eu já não ouço o tempo
Mas ainda sinto dor
Não tem mais telegrama
Sentimento é virtual
E a música baiana
Resumiu-se em carnaval
Eu já não mando cartas
Mas ouço os filhos de Canô
E diante das mudanças - Ando
Diante das andanças- Mudo
Diante das mudanças - Muda
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Fábula
A palidez da pele e os olhos parados a olhar-se no espelho davam-lhe a certeza da brevidade de seus dias. Não queria crer em mais nada, nem confiaria na existência de algo maior que seus próprios medos. O sentimento que lhe arrebatava em imediatos segundos devolvendo-a estupidamente à realidade era algo indesejável ao mais louco dos homens. Sentia repulsa de si mesma e dignava-se a cortar a pele com um estilete improvisado de gilete. O sangue escorria livremente nas ranhuras manchando os lençóis. Ela se sentia só e sóbria. Soberbamente realizada. Não queria morrer. Nunca sentira necessidade de acabar consigo mesma. Tudo era apenas um belo ritual de auto-purificação. Fixava o olhar na lâmpada negra ao centro do teto e devaneando encantos se via deitada ao centro de um imenso jardim. Roseiras cresciam desordenadamente abraçando-lhe o corpo. Os espinhos rasgavam-lhe a carne encharcando as pétalas de um vermelho púrpuro desigual. Seus lábios simulavam beijos que nunca encontravam uma superfície quente e úmida que retribuísse as carícias ensaiadas. E lá, ao centro do quarto, ficava deitada à espera que o desespero que lhe assombrava tomasse a forma inesperada de um macho que sem qualquer pudor invadisse-lhe a alcova e desfrutasse de toda sua vulnerabilidade. Sonhava digladiar-se, contorcer-se febrilmente, rompendo com todos os valores, escandalizando a quem lhe cobrava compostura. Desejava escandalizar-se, rasgar-se inteira e completamente, sangrar até a última gota de esperança. Gozar minutos inúteis em futilidades bestas. Desejava amar, amarrar-se a sombras, deglutir prazeres frenéticos. Gozar inutilmente. Desejava o mais viril dos homens lambendo-lhe as entranhas, estranhamente desvendando-lhe o sexo. Desejava a mais fútil inutilidade. Um prazer de repente no meio da noite, em silêncios e gemidos de brisa. Em sorrisos e gemidos de brisa. Em gemidos e gritos de vento.
A friagem da noite arrepiava todos os pelos de seu corpo. Inconseqüentes delírios deitada ao mármore frio. O quarto se alargara em um imenso brejo. Acariciando os seios sorria enquanto a outra mão tocava a virgindade despudorada. Fechou os olhos tremulando inteira. Impossível revelar as sensações, impossível nomear-se. Impossível não ser em profundo êxtase. Impossível ser. Quando abriu os olhos percebera quão inútil desequilíbrio. O quarto estava cheio de sapos, saltitantes com suas línguas enormes a lamber as muriçocas que voavam em torno das lâmpadas. Todos os sapos, enormes, miúdos, verdes claros, escuros, marrons. Rãs, pererecas, cururus, sapos-boi, zolhudos, tomates, ceras e todo tipo de anuros. Saltavam ao redor de seu corpo, atraídos pelo cheiro emanado. E, os sapos saltavam sobre ela, lambendo o sangue em sua pele, e surgiam mais sapos, infestando o quarto com um coaxar ensurdecedor. Fechava os olhos tentando lembrar-se do próprio nome, tentando esquecer a saparia, tentando não crer na existência de sua loucura. Mas, ao abrir os olhos podia perceber que havia mais sapos sobre a cama, sobre a cômoda, sobre todos os móveis do quarto. Os sapos se multiplicavam e tomavam conta de tudo. Aos poucos, ela sumia. impossível ver-se ao espelho, impossível vê-la. De súbito, um sapo enorme abrira a boca e engoliu aos poucos aquela criatura que nem mais parecia gente. Sua palidez foi desaparecendo lentamente, enquanto o sapo ficava cada vez mais gordo. enorme. Os olhos do sapo cresciam, seu corpo inchado se expandia pelo quarto. Suas cores transmutavam. Em alguns instantes o anuro explodiu, espalhando uma gosma esverdeada pelas paredes. Lá no chão, um corpo se contorcia misturado a uma estranha placenta. Virgínia renascia.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Contra-manual das mentes primárias
Imagine-me estando na tua cozinha
sorrindo e te perguntando onde guardas o café.
Quem sabe tenha mais de palhaço do que estimo
e me envolvo na pele da mais puta palaciana.
Mesmo ainda que falsos, amores, eles existam.
Minha palmeira pela manhã me vê desmontada,
cuido que se esqueça dos gemidos e promessas.
Tenho fantasias para mais de cem prostíbulos.
Abri meu guarda roupa de drag e, que sorte,
descobri esperanças a serem jogadas fora.
Caio de joelhos, de lama sujo o sexo de macho.
Os mesmos desejos nos trazem aqui na sacada,
tenho alma de lince, isso meu cachê não cobre.
sorrindo e te perguntando onde guardas o café.
Quem sabe tenha mais de palhaço do que estimo
e me envolvo na pele da mais puta palaciana.
Mesmo ainda que falsos, amores, eles existam.
Minha palmeira pela manhã me vê desmontada,
cuido que se esqueça dos gemidos e promessas.
Tenho fantasias para mais de cem prostíbulos.
Abri meu guarda roupa de drag e, que sorte,
descobri esperanças a serem jogadas fora.
Caio de joelhos, de lama sujo o sexo de macho.
Os mesmos desejos nos trazem aqui na sacada,
tenho alma de lince, isso meu cachê não cobre.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Miniconto

Ela e toda sua essência deixavam-se cair sobre seu colo. Naquele momento, não se importaria se todos os pássaros deitassem em revoada e a carregassem ao céu... A morte, não faria o mínimo sentido.
Ninguém consegue viver com tanto veneno... a verdade liberta... o frio seduz apenas os libertinos...
Pensava que nos arredores de suas imagens fractais, apenas um ser conseguira aproximar-se da verdade de suas horas mais inóspitas. E era dele o colo no qual realmente conseguia descansar suas máscaras.
Genuinamente, pensara, não há coração sem razão a lhe oferecer paz. E neste momento ela chorou.
Caroline Schneider
Ninguém consegue viver com tanto veneno... a verdade liberta... o frio seduz apenas os libertinos...
Pensava que nos arredores de suas imagens fractais, apenas um ser conseguira aproximar-se da verdade de suas horas mais inóspitas. E era dele o colo no qual realmente conseguia descansar suas máscaras.
Genuinamente, pensara, não há coração sem razão a lhe oferecer paz. E neste momento ela chorou.
Caroline Schneider
sábado, 1 de novembro de 2008
Reconstrução
Estamos em reforma, e será muito bom contar com pessoas novas e engajadas!
Obrigada aos que se vão e sejam bem vindos os que chegam!
Espero duas coisas, garra ao participar em seu dia e críticas de qualquer cunho aos colegas!
Propagar o MANUFATURA também é muito importante!
E vamos em frente, sempre!
Obrigada aos que se vão e sejam bem vindos os que chegam!
Espero duas coisas, garra ao participar em seu dia e críticas de qualquer cunho aos colegas!
Propagar o MANUFATURA também é muito importante!
E vamos em frente, sempre!
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Poesia oca
Escrevia, com rimas e floreios, sobre os próprios sentimentos
Transcrevia emoções com perfeição
Infelizmente, na maioria das vezes, sentia-se vazio
Transcrevia emoções com perfeição
Infelizmente, na maioria das vezes, sentia-se vazio
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
densidade
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
Dia após dia
Eis a hora de minha morte
Enquanto dia, tardo solitário
Sob um sol sem nome nem visco
Vejo profundo, sinto, sublimação
Sutil como o copo guarda água
Agora é o dia, quando dia findo
Temo o céu aberto, sem nuvens
Sem sombra a proteger o rio
Evaporando lentamente gotículas
Contudo, se voltam do céu as nuvens
A desaguar nas margens, subtraem
Toda a gente deste mundo
Pelo ontem e o que se foi
Acalme-se, acalme-se
Todos os dias passam e ninguém sente
O dia vale o fruto que nasce
Enquanto vivo a espatifar-se ao chão
Eis agora a sombra do horizonte
Pranto triste que o faz disforme
Glória contida, alegria pobre
Sempre, sempre irrevogável
domingo, 19 de outubro de 2008
Utopia
Falam que o amor não existe
Lutar por um sonho é para românticos
Ser você mesmo é uma meta distante
Conhecer um mundo verdadeiro é impossível
Viver um conto de fadas é para livros
Dizem que acreditamos em utopias
Na procura de uma vida melhor
Se isso é utopia
Utopia é sermos ignorantes
Em volta de pessoas hipócritas
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Ode a Maiakóvski
IV
Oh, Maiakovski! Que ânimo te arrebataste
Desta vida estúpida?
Que verme atravessara-lhe a alma
A corroer todas vossas esperanças?
Ah, meu caro poeta, seus versos traduziram
O espírito de uma época...
Teu grito, tua voz ecoaram na revolução.
Mas, onde foste?
Que miserável sentimento tomara conta de ti?
Não compreendo! Lançaste sobre vós,
Sobre vosso próprio corpo, toda a ira,
Todo despropósito em viver.
Oh, meu amigo, por que puseste uma bala
Em teu próprio peito?
Que motivos, que revoltas, que amores?
Tu foste homem, foi poeta.
Decidiste com coragem seu próprio destino,
Escreveste com a pena vossa própria pena,
E eu? O que faço de minha vida?..
Não sou tão homem, nem tão poeta,
Encolho-me sob minha casaca,
Escondo-me nas multidões,
Sou mais um, enchendo o papel de palavras,
Gritando meus silêncios e mais nada.
Ah, meu irmão, meu camarada...
Se houvesse em mim uma gota de coragem
Chegaria “às vias de fato”, esmagar-me-ia, pois.
Mas, não sou grande como vós,
Nem tenho sobremaneira vossa postura,
E, meus versos são calejados, inspirados
Na insatisfação que é a vida: que vida!
Ah, se pudesses me ouvir!
Que conselho me darias, proletário poeta?
Há tempos a vida perdeu a cor e razão
E minha inspiração está no enfado, no tédio.
Não encontro sentido na revolta, na luta,
Tudo se transformou em uma névoa obtusa,
Numa escuridão infinita, que nem percebo
O brilho da vida.
Sim, terei um dia, no desconsolo de um quarto
Escuro, a hombridade de silenciar-me.
Calarei para sempre esta voz
Que insistente vos declara minha covardia;
E, quando cessar-me de ser covarde,
Não haverá tempo pra ter coragem,
Pois minhas mãos, tremendo de velhice,
Aceitarão, resignadas, a loucura que é viver
À espera da morte.
Oh, Maiakovski! Que ânimo te arrebataste
Desta vida estúpida?
Que verme atravessara-lhe a alma
A corroer todas vossas esperanças?
Ah, meu caro poeta, seus versos traduziram
O espírito de uma época...
Teu grito, tua voz ecoaram na revolução.
Mas, onde foste?
Que miserável sentimento tomara conta de ti?
Não compreendo! Lançaste sobre vós,
Sobre vosso próprio corpo, toda a ira,
Todo despropósito em viver.
Oh, meu amigo, por que puseste uma bala
Em teu próprio peito?
Que motivos, que revoltas, que amores?
Tu foste homem, foi poeta.
Decidiste com coragem seu próprio destino,
Escreveste com a pena vossa própria pena,
E eu? O que faço de minha vida?..
Não sou tão homem, nem tão poeta,
Encolho-me sob minha casaca,
Escondo-me nas multidões,
Sou mais um, enchendo o papel de palavras,
Gritando meus silêncios e mais nada.
Ah, meu irmão, meu camarada...
Se houvesse em mim uma gota de coragem
Chegaria “às vias de fato”, esmagar-me-ia, pois.
Mas, não sou grande como vós,
Nem tenho sobremaneira vossa postura,
E, meus versos são calejados, inspirados
Na insatisfação que é a vida: que vida!
Ah, se pudesses me ouvir!
Que conselho me darias, proletário poeta?
Há tempos a vida perdeu a cor e razão
E minha inspiração está no enfado, no tédio.
Não encontro sentido na revolta, na luta,
Tudo se transformou em uma névoa obtusa,
Numa escuridão infinita, que nem percebo
O brilho da vida.
Sim, terei um dia, no desconsolo de um quarto
Escuro, a hombridade de silenciar-me.
Calarei para sempre esta voz
Que insistente vos declara minha covardia;
E, quando cessar-me de ser covarde,
Não haverá tempo pra ter coragem,
Pois minhas mãos, tremendo de velhice,
Aceitarão, resignadas, a loucura que é viver
À espera da morte.
sábado, 4 de outubro de 2008
Segredos da Monarquia
Escondo-me sob o manto de rainha
Mas quero o súdito mais rude da corte
A penetrar meu ventre ordinário de mulher
Quero gritos de plebéias
Transpiração de rameiras
Gemidos de cortesãs
Que façam ecoar em meu ser as trombetas dos cavaleiros
A guerrear nas savanas do meu reino
Quero ser devorada como faisões de banquetes reais
Sobre colchões de feno
Nos currais
Dou meu cetro de poder
A quem, mesmo de soslaio possa
Retirar-me do mediterrâneo inferno
Que é viver
Sem uma centelha de prazer...
Caroline Schneider
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