Acredito. Deste modo faço mais um testamento, este momento!
http://manufatura.blogspot.com/2012/02/evolucao.htmlquarta-feira, 30 de novembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
O Violino
Tinha um violino.
Não aprendeu as principais técnicas de execução das obras clássicas, que amava tanto.
Havia pulado a escola de música.
Existe sem dúvida certa semelhança de linguagens simbólicas, entre a música e a poesia.
O som também é um fenômeno físico. Mas o rapaz não foi feito paras as artes melódicas.
Ainda assim, de vez em quando, tocava um milagre com seu instrumento.
Depois, precisou de dinheiro. Vendeu pra seu amigo, que era melhor violinista.
O violino virou variável quântica.
Quando mirado sobre a estante, colapsava na forma de uma lágrima.
Quando desviava o olhar, readquiria a impossibilidade da ausência.
Não aprendeu as principais técnicas de execução das obras clássicas, que amava tanto.
Havia pulado a escola de música.
Existe sem dúvida certa semelhança de linguagens simbólicas, entre a música e a poesia.
O som também é um fenômeno físico. Mas o rapaz não foi feito paras as artes melódicas.
Ainda assim, de vez em quando, tocava um milagre com seu instrumento.
Depois, precisou de dinheiro. Vendeu pra seu amigo, que era melhor violinista.
O violino virou variável quântica.
Quando mirado sobre a estante, colapsava na forma de uma lágrima.
Quando desviava o olhar, readquiria a impossibilidade da ausência.
domingo, 27 de novembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
Um pulo
Todos os seus problemas
Laçados
Pela corda sarnenta.
Na firmeza da árvore
A segurança
Que não se encontra em todo o resto.
A garganta amarga
Por arrotos
De rancores e álcool
Agora está apertada
Num nó que não é seu.
As esperanças por um futuro melhor?
Não perduraram ao fim de ano da Globo.
Os sinos não se dobram
Mas as maritacas fazem alvoroço.
Um pulo
Acabou.
Laçados
Pela corda sarnenta.
Na firmeza da árvore
A segurança
Que não se encontra em todo o resto.
A garganta amarga
Por arrotos
De rancores e álcool
Agora está apertada
Num nó que não é seu.
As esperanças por um futuro melhor?
Não perduraram ao fim de ano da Globo.
Os sinos não se dobram
Mas as maritacas fazem alvoroço.
Um pulo
Acabou.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Melodia pura
É uma pureza desmedida, transbordada num tilintar íntimo dos corações. Dá para sentir no ar a essência tremeluzindo como uma luz irradiando a escuridão. É apenas doce, suavizado em momentos ternos, incapazes de serem descritos, muito menos compreendidos. É volúpia de inverso deitadas no verso da ternura branda do querer, que penetra delicadamente, aflorando no peito sonhos de verão, regalos de vida na totalidade das emoções. É uma sensação cristalizada no finito alcance dos olhos, amansada no alcance infinito do coração.
É possível nem mesmo notar e ainda assim sentir. É um mistério tão imenso quanto o universo e tão brilhante quanto a luz das estrelas. É como uma pluma a sobrevoar campos floridos, arrebatando a essência pura imersa no ar, para pousar sensibilidade somente por estar. É um afago delicado, presente na meiguice de um sorriso. É um sonho roubado para ser vivido. É um misto de calmaria e ansiedade; uma intensa magia que sustenta os sonhos mais afetuosos e alicerça os pedaços do âmago da alma. É um vento brando que acalenta a pele, que acolhe o calor das brisas e repousa calidamente no mais íntimo, sem pedir licença.
A exuberância das sensações alimenta a chama mais tenra presente no coração, realinha a órbita do universo interior e concede esperança onde só tinha dor. É uma implosão de amabilidade, adornada com pérolas translúcidas de indelével querer. Vive no querer intenso, dentro de uma maresia enigmática, e de cores indecifráveis. Enfeita-se na inocência, distante do mais torpe teor. É uma presença que dorme nas franjas do carinho e reflete no espelho dos olhos, que permite perpetuar-se na aurora dos horizontes, dispersando fragmentos amorosos por todos os pedaços do ar.
É um enlace de paixão, uma força tenaz, capaz de colocar as pétalas despetaladas no lugar. É um afã incontrolável, vívido numa mansidão calma incompreensível, transparecida em uma incólume sensação de prazer. É uma sensação que vem para infindar delicadeza e afabilidade no peito, e tremeluzir o brilho incessante de uma candura imensurável de contentamento. É um afeto explícito, coberto com uma viçosa nuvem de aconchego. É tudo e ao mesmo tempo nada. É inteiro, mas não tem medida definida. Tem a dimensão que nós queremos que tenha.
É sinfonia entoada nas tardes de primavera. É canção que não tem letra, mas toca. Não se vê, apenas sente. É amor, melodia pura a ecoar.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
O mesmo título de um poema de Konstantinos Kaváfis
![]() |
| Behemoth e Leviathan - tela de William Blake |
(e um plágio confesso, evidentemente)
Vencidas as montanhas
eles rumam à cidade.
Quilômetros a serem devorados
e o ar já se torna irrespirável –
um bafo antediluviano
lambendo a pele do campo.
A caminho, calcinando a paisagem,
vão comendo a pata dos cavalos –
mera ilusão para a fome que carregam
sobre o lombo de animais elétricos.
Vencidas as montanhas
eles rumam à cidade.
Distâncias a serem consumidas
e o chão já se comporta mal –
a terra, cortada pela frieira,
expõe a carne de raízes retorcidas.
Em seus rastros, rios nauseados
vomitam sobre o próprio corpo –
peixes abortados à flor da água
oferecem as entranhas às moscas.
Vencidas as montanhas
eles rumam à cidade.
2
E não merecemos nada
além de sermos assassinados.
* do livro Comerciais de Metralhadora
domingo, 20 de novembro de 2011
Beatriz
Nem bela, nem atriz. Beata, tampouco. Um retrato desbotado na parede. E um soneto esquecido num caderno. Aberto e roto.
Márcia Maia
sábado, 19 de novembro de 2011
meu novo emprego
Hoje pedi demissão e resolvi ser assassino profissional.
Sempre tem alguém querendo matar alguém sem sujar as mãos, e eu vou te dizer, eu estou bem afim de matar alguém sem motivo, que não o dinheiro é claro, alguém tem que pagar a luz.
Fui treinar ontem à noite, na saída de um bar.
Um casalzinho foi se agarrar num beco, mas que sorte, dois de uma vez só.
O rapaz eu matei com um tiro, porque era grande e podia me bater.
A garota eu matei com as mãos.
O pescoço dela fez creck.
Barulhinho engraçado.
Estou pronto pra começar.
Sempre tem alguém querendo matar alguém sem sujar as mãos, e eu vou te dizer, eu estou bem afim de matar alguém sem motivo, que não o dinheiro é claro, alguém tem que pagar a luz.
Fui treinar ontem à noite, na saída de um bar.
Um casalzinho foi se agarrar num beco, mas que sorte, dois de uma vez só.
O rapaz eu matei com um tiro, porque era grande e podia me bater.
A garota eu matei com as mãos.
O pescoço dela fez creck.
Barulhinho engraçado.
Estou pronto pra começar.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Desvios oníricos
Interpretações de desvios oníricos
feixes de luzes dispersos e coloridos
confluências cognitivas
manifestas no mito
da lucidez
línguas de mariposas elétricas
reluzente interno de enredos marinhos
cavalos coragem e redemoinhos
cavalos coragem e redemoinhos
sustentando sutilezas telepáticas
assobio no ouvido e extensão de omoplata
ao absurdo absoluto
absinto minuto
evasivo
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
o pé, a pedra, o mundo e o caminho *
(pro Carlos)
por andar
a pé, drummond
encontrou
a pedra, o mundo.
e a pedra
no meio do vasto mundo
tinha um caminho...
______________________________________________
* Publicado Originalmente nos EcosDiversos.
(Direitos reservados, aqui e lá.)
sábado, 12 de novembro de 2011
Lançamento e Vendas - Colcha de Retalhos
Você está convidado para o lançamento do livro:
Colcha de Retalhos
Rodrigo Domit
O evento será realizado no dia 04 de Dezembro de 2011, das 14h30 às 17h, no Bar das Quengas - Av. Mem de Sá, número 175 - esquina com Washington Luiz, Rio de Janeiro - RJ.
O "Colcha de Retalhos" foi finalista do Prêmio SESC (2008) e foi vencedor do Prêmio Utopia (2010). A obra reúne 73 textos curtos e, apesar da predominância maciça dos contos, escapa em alguns momentos para a poesia e para a crônica. A obra está sendo lançada pela Utopia Editora - com projeto gráfico da ilustradora Laís Brevilheri - e quem quiser levar um exemplar para casa desembolsará a quantia de R$10,00.
Conto com a sua presença!
Clique na imagem para ampliar
Venda Online:
Cada exemplar custa R$10,00, o frete é gratuito para todo o Brasil* e são aceitas as seguintes formas de pagamento:
Deposito bancário - Cartão de crédito (à vista sem taxa ou parcelado com taxa de 1,99% a.m.) - Débito online - Boleto bancário (taxa de R$1,00)
*Promoção válida até o dia 04/12.
*Promoção válida até o dia 04/12.
*O frete para outros países será orçado após solicitação de compra.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
AEIOU
Andava atarefada, aspirava ascensões, agora, às alturas ambicionava.
Esse emprego era espetacular, enfatizava ela, era excelente escritora.
Ideias infinitas, inspirava inúmeros indivíduos, indiscutivelmente imortalizariam-na.
Obra original, ótima ortografia, obtivera ofertas, onde outros obscureciam.
Ufanava-se, uma ultriz, ultrajou ultraconservadores, ultrapassara uma utopia.
Joakim Antonio
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