quarta-feira, 3 de março de 2010
conversa de namorados
lento movimento dos planetas, esse ápice martirizado dos meus sentidos,
da verdadeira materialidade da água, da madeira, de onde vem realmente
essa coisa que ouvimos o mahler tocar, do cheiro da tangerina como diz
o gullar
(ela) tá! chega amor, vamos mudar de prosa, e não pra e. a. poe,
por favor
segunda-feira, 1 de março de 2010
tramontina
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Cena Noturna
Começaram a brigar tarde da noite.
Acordei com o rasante voo da televisão a globalizar a queda janela abaixo.
Depois, tímido atirou-se por trás da cortina, a coleção de CDs da MPB – talvez uma tentativa de fuga. Vi Chico Buarque cantar “Rita” ao cruzar vertiginosamente por minha janela, seguido por Joplin rouca e louca.
Pensei na complementação dos opostos
Ouvia a voz de um gritar ao outro em acusações quase obscenas.
Cenas de um cotidiano...
- FAMILIAR – gritava o vizinho do décimo. E não sei se em referência ao cotidiano ou ao prédio.
Passava das dez quando os corpos tombaram.
Primeiro um e logo o outro, como se mão do primeiro carregasse o segundo.
Dois tuns!
Já passava das dez.
Silêncio...
Apenas os olhos de um gritavam aos olhos do outro...
Vermelhos obscenos.
- Graça Carpes -
..........................................
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Troll
![]() |
| max ernst |
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Só ...tão
tanto novas quanto usadas,
pra mudar conforme o caso
(se uma suja, jogo fora,
quase nunca lavo).
Algumas são falsa-cor,
vermelhas,
cheias de prendas e laços,
penduricalhos mil costurados,
que já nem sei mais o nome.
–tenho um motivo fajuto
e sempre o sapato perfeito
pras feras que me consomem–
Há uma de esguelha, há outra rodada,
envolta em fuxicos, ismálias
e finas organzas de musas
–amélias no forro, teresas na barra–
há uma fechada, há outra que ousa,
e não tem botões, nem amarras,
rendada com puta de esquina.
(troco a cara e o vestido
quando aquela não mais me fascina).
Em noite de gala,
quando o amor desvestido me despe,
me visto com fendas
e tons de imprevisto.
Acordo no dia seguinte, num sopro,
já pano de vela que encontra
seu porto
- alma á espera, com jeito de corpo -
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Flores para los sueños
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Tulipas negras
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Colos
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Insólito
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Marcas
estas linhas sobre as costas
meio retas, meio tortas,
gravadas em sangue vivo.
Se entrecruzam cicatrizes
sobre meu dorso marcado
de alto a baixo, lado a lado.
"Mas que absurdo!", dizes.
Explico o que aconteceu:
Mulheres têm longas unhas
E algumas usam as suas
como ferro de marcar: "Este é meu".
Se me importo? Ora, não!
Reconheço, claro, a posse
e mesmo que assim não fosse,
são um selo de aprovação.
São testemunha silenciosa
de noites de pouco dormir
que deixa como souvenir
minha amada quando goza.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Cavalos Azuis
"Um poeminha atormentou meu cochilo
murmurando a meus ouvidos
que, quando velho, em minha caduquice,
poderei ter cavalos azuis...
Mas, o que fazer,
se já agora,
eu os tenho?"
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Digressão Noturna
depois o peso.
O braço pesa,
as costas pesam,
as coxas pesam,
as coxas pesam é como…
mas mais fundo vai um tipo de sono
bêbado
que ainda não é lucidez
e sim um misto de preguiça
com sonhos inacabados.
ainda murchos
que se emendam com os monstros
e com os desenhos
de ontem,
de ateontem,
e de terça.
Não se conectam,
Não.
Não mesmo.
Vão e vem,
descendo das histórias que serão emendadas daqui alguns minutos.
A espera da indecisão
e assim fica até a bechiga doer e o pênis ficar duro de vontade de mijar.
Então a perna formigando mexe
e vem a dor de cabeça.
Uma dor de quem não quer livrar-se da cama
quente
e daquela toxina
que é cheiro
o cheiro úmido
de debaixo das cobertas.
de não ter feito qualquer coisa,
qualquer coisa,
qualquer coisa antes
que a dor de cabeça viesse
e que o vento do sono inundasse novamente o corpo amortecido.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Opostos
Gosto de Opostos
daqueles com Gritos
ou Silêncios
no meio da Multidão
Delicio-me ao ver
a Beleza da Dor
ou o Visco que há
na singeleza do
Fim do Amor
Rio-me da Dicotomia
entre a Paz e a Guerra
arriscada pelo Estopim
de uma Centelha
e
Valho-me da Certeza
que o Tudo
completa o
Nada
E que sem os Opostos
o Mundo se Acaba
Caroline Schneider



