terça-feira, 13 de setembro de 2016

Confissão


"Não, papai, com a fivela, não! Ele é pequeno, ainda! Bate em mim, pode ser? Fui eu que fiz, papai, não foi ele, não! Bate em mim, papai! Por favor!"

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Final do verão


Ao final do verão, as cigarras invadem a cidade. Chegam queimadas pelo sol, trocando de pele.
As formigas, trabalhadoras, da cidade nunca saem. Para elas, o inverno é uma ameaça constante.

domingo, 11 de setembro de 2016

Todo mundo cabe

Todo mundo cabe dentro de um poema. Irá sorrir, chorar, ou enraivecer-se. Dependendo do que ele viu, sobre si mesmo. Por isso é interessante postarmos coisas antigas, quem já o leu terá novos olhos e sempre haverá quem não o leu, ambos, nos mostrando o que há no seu coração.
Não existe poema sem arma_dura, mas só fere-se quem dá soco, quem suavemente o ama, apaixona-se.

Assim é!

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Fim dos dias do vilão


Engana-se quem pensa que, algum dia, ele arrependeu-se.
Morreu sorrindo aquele cínico; Sabia que a mídia, a seu serviço, na terra ou no inferno, o transformaria em herói.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Tocando



Às vezes, ao tocar outro, sente-se o barro. Dispensamos a mão e tocamos o pulso, como se tocássemos o coração. Sentimos a fogueira da alma e então, ouvimos a canção do outro. A ode que o Oleiro recitou ao nos dar forma, colocando um abismo em cada um, preenchido por um salto com amor. E de repente, no caos da própria voz, cantando desejos, você lembra de um olhar e sorri, ao perceber que o momento acontecera antes mesmo do que pensou.

E em algum lugar, olhando os dois, o Oleiro sorri também.


Joakim Antonio




Imagem: Final-Touch by ZaGHaMi

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Quem?


quem vai nos proteger de nossos anjos protetores

quando quisermos viver

e eles vierem nos poupar as dores?

terça-feira, 12 de julho de 2016

Entre amigas


O sorriso de hiena desfez-se. Embrenhou-se pelos cantos da parede, como se andasse pelo rodapé. Curvou-se para olhar pela quina da porta, confirmou que a outra se afastava e, então, disse:
- Eu não falei? Essa vagabunda, falsa, nunca me enganou.

 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

DNA



Desenhado por fótons, capturado por elétrons.
Nosso código biológico, capturado por artefato tecnológico.
Aldeia dos ancestrais, capturados e massacrados, mas ainda vivos.


Joakim Antonio


Imagem: Renato Soares
https://www.facebook.com/renato.soares

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Otimismo do momento


...pois é,
mas depois piora
o negócio
é curtir agora.

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dos EcosDiversos

domingo, 12 de junho de 2016

Mulher bomba


Por dentro, explodia um não. Mas o único som que se ouviu foi o daquela voz, suave e sofrida:
- Aceito.
E prosseguiram com a cerimônia.

sábado, 11 de junho de 2016

La cocinera



E quando me vi, do modo que me viam, desacreditei. Seria tão linda eu? Então um menino que passava correndo, parou nos olhando e disse, como se adivinhasse meu pensamento, "Que legal, ficou quase tão bonito como a senhora!".

Joakim Antonio


Imagem: Doña Petra Gallardo Galeana, La Pilinca, a la edad de 88 años.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Sade em Paris





Na festa do palácio, pessoas são apresentadas entre valsas e polcas.
— Esta é Justine — informa o anfitrião, ao amigo.
 — Encantada, senhor.
— Muito prazer, senhora. Muito prazer. — responde o Marquês de Sade.




Crédito da foto: https://pt.wikipedia.org/wiki/Baile

sexta-feira, 13 de maio de 2016

a temer , o que?

a temer , o que?

a temer, o ovo da serpente:

a temer, a própria traição
a temer, o desprezo dos traídos 
a temer, o desprezo dos que compram traidores
a temer, não a morte, que a terra é leve
a temer, não a terra, que é leve e fértil
a temer, a lama.

a temer, nada,  senão o próprio medo.
nada a temer, senão o próprio medo.
a temer, o medo. 
muito medo a temer.


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Publicado originalmente aqui.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Naturalmente, carnívoros


Como todo dia, na pia, o ritual pós-sacrifício acontecia: limpar as peles, cortar em filés, tiras ou cubos, temperar e cozinhar. Naquele dia em especial, na tábua de madeira, jazia uma galinha caipira, com o pescoço torcido e ainda mantendo algumas penas.
O garoto, curioso, aproximou-se da cozinha e observou, com um pouco de nojo, a mãe manuseando aquele bicho. Ela arrancando penas, cortando a cabeça e tirando as peles. Quando reparou que o garoto estava ali, ele aproveitou para perguntar:
- Mãe, o que é isso?
- Franguinho, filho!
- Então... É isso que é franguinho?