segunda-feira, 11 de junho de 2018

Blue moom III



Este luar é emprestado. Não ouso tomá-lo de um amigo. Pior seria se me atrevesse, roubar o olhar de um poeta. E além disso. Um lobo respeita o outro. Já a Lua, que pecado, sorri pro mundo. E os poetas em respeito, ou submissos, ajoelham-se e rezam, "orate pro nobis" lábios cheios e prateados, no momento, intumescidos. E ela, matreira, sorri como se não tivesse nada com isso. Mas eles sabem e continuam, deitando suas cabeças, no mundo Dela.

Joakim antonio

Imagem: Lua, em Americana, por Marcelo Moro.


Blue moon, foi um exercício poético, feito a partir de um pedido de fotos da Lua, no facebook, do local onde meus amigos estivessem. Para cada foto recebida fiz um texto, em poema ou prosa poética, no mesmo momento em que recebia a foto. No total, foram sete fotos recebidas.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Blue Moon II



Avista Clara
sem saber nome

Então nomeia
por pura fé

Há luz divina
sem sobrenome

Mas sabe a santa
sem ser Tomé

Lembra de Assis
fazendo soma

Agora sabe
a Lua quem é

Joakim Antonio


Imagem: Lua, por Cecilia Maria De Luca

Blue moon, foi um exercício poético, feito a partir de um pedido de fotos da Lua, no facebook, do local onde meus amigos estivessem. Para cada foto recebida fiz um texto, em poema ou prosa poética, no mesmo momento em que recebia a foto. No total, foram sete fotos recebidas.



quarta-feira, 11 de abril de 2018

Café antigo




O café tem um dom antigo de despertar o olhos pro amigo, tem o poder de adoçar as manhãs com o sorriso do encontro e possui um aroma, que rivaliza com o perfume do corpo, de frescor após o banho.
O café tem um dom antigo de reunir pessoas, antigamente em volta da fogueira, aquecido com uma pedra quente jogada na chaleira e coado num pano de algodão. E hoje em dia, apesar de expresso, dá um stop na correria, pois um bom café pede toda nossa atenção.
O café tem um dom antigo de despertar palavras, em todas as línguas, unindo-as por um momento, que mesmo que pareça tímido, será relembrando como grande ocasião.

Joakim Antonio


Imagem: Cup o' joe revamped
by Codeboy

segunda-feira, 2 de abril de 2018

labirintos

as palavras estão para o papel
não quero dispensar mais nada
sem calor, sem frio, sem verbo
as escolhas se calaram com
o assombro do vento
tudo é sal e salitre
o que do mar me sobra
é a sombra do tempo
a onda que não quebrou
as palavras não estão para nada
calaram em algum lugar que não sei
dispersaram antes que eu abrisse
a boca e enrugasse os olhos
as coisas pedem socorro
e eu já desisti de salvar
minotauros dentro de mim
batem cabeças contra paredes
as palavras são monstros.
LM@rq

domingo, 11 de março de 2018

Vestido de Papel - Brincadeira Alada - ZenOrigami MK



"Olhava as crianças brincando 
com os pássaros na calçada 
e não conseguia distinguir 
de quem eram as asas"


"Brincadeira Alada" papel garimpado de caixas e baús, dobras de Marcia Krone "ZenOrigami MK"  

poesia: Joakim Antonio
origami: ZenOrigami MK

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

retomadas buscas

Sempre que chovia, e só quando chovia, saía pelas ruas procurando a família.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Blue moon I



Equidistante
um ponto. Sou
onde tu estás

Apaixonante
um amor, vírgula
sem se explicar

Mirabolantes
meus pontos: dobram
pra te falar

Desconcertante
teu olhar! Exclamo
num ponto' ar

Joakim Antonio



Imagem: Lua, em Fortaleza, Ceará. by Cristina Macedo


Blue moon, foi um exercício poético, feito a partir de um pedido de fotos da Lua, no facebook, do local onde meus amigos estivessem. Para cada foto recebida fiz um texto, em poema ou prosa poética, no mesmo momento em que recebia a foto. No total, foram sete fotos recebidas.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

pensa na carne como ilha


escura e transparente
finita e eterna
uma carne-sangue que não pertence
suposta matéria osso e tutano
que fende e apesta
sou a face dessa forma
um encaixe do não encaixa
a carniça manca
presa no desespero
LM@rq

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Verde



Em passo tribais, sou natureza. A grande tartaruga e o mundo em arte, sobre suas costas. Busco me encontrar em cada ato. Rastreio minha cor no asfalto, mas ela falta. Entre árvores de cimento e janelas mágicas brilhantes das ocas de pedra - já para o natal, me desencanto. Passo de borboleta a lagarta e me arrasto, querendo algo mais. Minha tribo não me satisfaz, tem caciques demais e Xamãs de menos. Então, mudo do local, busco voz longe dos galhos de fios, mais perto da água, aumentando o azul do céu. Mas sinto que ainda não é minha cor. Já com o encanto do mar, ouso voar, aperfeiçoar minha visão, ver o outro lado do mar. Agora o clima é noir. As cores não são quentes como no meu lar. A casca usada é pesada e muita, até alguns olhares são frios. Mas por dentro me encontro, sentindo um vislumbre do que virá. Passo a aceitar novas cores, ensinos, amores e o que pintar. Sem perceber, o Tempo brinca e viaja comigo, retorno e me vejo em casa. Seu presente, grandes asas. Só assim vejo o todo. E noto. Uma menina passando e a cor dos seus olhos. Um papagaio que repete, Seja, infinitamente. A folha rasgada de um livro antigo, com o Santa Claus original. O mar, em um tom além do azul. O cabelo de outra menina, num tom incomum. E penso em árvores, pássaros, frutas e maturação. Encontrando rotas, onde só veem paredes. E meu coração bate forte. Ao encontrar a palavra certa, para sua cor.

Verde!

Joaquim Antonio


Imagem: Jeannette Priolli - série " VERDES " 2017
1.50 m. x 1.50 m. x 0.10 m. acríclica s/ tela

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

se a elegia do homem supera


a rudeza oblíqua do universo afônico
não cale poeta, peço-te, não cale
aventa-te com tuas boas e más palavras
do parapeito do décimo andar
que cada verso seja uma queda brusca
e repentina
rumo ao infinito vago do vazio
LM@rq

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Pré-ideia


No inverso da letra, um número conhecido.
Um palhaço de verso, num mundo de circo.
Ele rima e alguém grita, numa estrofe qualquer.
- Ali, pega ele, o ladrão de mulher.

Joakim Antonio


sábado, 11 de novembro de 2017

Insistentes

Num mundo cego, poetas insistem em enxergar. E com suas bocas miúdas, gritam "cuidado", para todos. Mas como convencer quem não vê a xícara transbordar.

Num mundo duro, poetas dão socos em ponta de faca. E com suas mãos imperfeitas, sangram como escudo, para todos. Mas como convencer quem não vê o sangue jorrar.

Num mundo doente, poetas fazem chá. E com suas ideias líquidas, tentam fazer diferença, para todos. Mas como convencer quem não vê possibilidade de se curar.

Num mundo normal, poetas são loucos. E com suas mentes poluídas, declamam versos, para todos. Mas como convencer quem não ouve além do que consegue gritar.

Num mundo caótico, poetas são Dom Quixotes. E com suas lanças entintadas, escrevem tudo, para todos. Mas como convencer quem lê e não enxerga nada lá.

Joakim Antonio

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Apontados



Cortaram-lhes
os pulsos
de modo errado

Cortaram-lhes
na carne
até a alma

Cortaram-lhes
a visão
dos intentos

Cortaram-lhes
na frente
dos dois lados

Eunucos do espírito
restou apontar
sem parar

Joakim Antonio


Photo by Sinan Arslan

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

citações inventadas (7)


O Ministério da Liberdade Lógica adverte:

"Este produto pode afetar a ordem dos fatores."