sábado, 20 de setembro de 2008

Obedeça seu limite



Sapatos sujos, idéias nítidas e conversas sobre o silêncio são momentos que fazem parte da nossa trajetória.
Quem nunca pisou onde não previa, onde não queria? Quem nunca imaginou claramente que podia, e quando foi ver, era totalmente inviável o que havia imaginado? Quem nunca teve uma idéia brilhante, mas que de brilhante mesmo só havia o sorriso de satisfação com o gozo de ter pensando algo novo, pois quando foi transcrever para o papel o projeto foi abortado, porque sofria de má formação. Quem nunca parou para se perguntar o porquê do silêncio de alguém, o porquê do nosso próprio silêncio? Quem nunca se incomodou com a falta de palavras?
O filósofo francês Jean-Paul Sartre afirma a contingência do mundo, ou seja, para ele, o ser humano é pura existência, a essência procuramos realizar a partir do nosso existir. E existência implica em ser-humano-no-mundo, sendo assim, o filósofo nos oferece a idéia da finitude.
Quando falamos em finitude, a tendência é a associação com coisas infelizes e tristes, contanto, esquecemos que esta é a oportunidade que temos de existir, é a minha existência agora que me faz escrever esse texto e a sua existência que te faz ler este texto em meio a inúmeras possibilidades no mundo. O ser humano quer possuir tudo, até mesmo a sua própria vida, a ponto de querer eternizá-la em si mesmo. A vida é um curso e todas as vezes que paramos para tentar prolongar para além da nossa própria existência paramos esse curso, paramos de realizar a nossa essência.
“A liberdade que se revela na angústia caracteriza-se pela existência do nada que se insinua entre os motivos e o ato. Não é porque sou livre que meu ato escapa à determinação dos motivos, mas, ao contrário, a estrutura ineficiente dos motivos é que condiciona a minha liberdade”. (Sartre)
É dentro de um número de possibilidades que podemos fazer escolhas, mas, no entanto, entre as muitas escolhas que fazemos há espaço para sucessos e fracassos. O fracasso talvez faça parte desta estrutura ineficiente dos motivos que nos proporciona a liberdade de mudar, de fazer novas escolhas, afinal, se tudo fosse apenas sucesso, o sucesso não poderia existir. Para comemorar os acertos é preciso ter errado um dia, para falar as palavras mais bonitas, é preciso ter feito silêncio, é preciso experimentar a vida como fundamento da nossa própria essência.

Um comentário:

Larissa Marques disse...

adoro Sartre e esse teu escrito está muito bom!