segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Mangueiras

Então vou nadear como Manoel
por entre as letras embaralhadas
nesta estrada de sons e de palavras.

Vou navegar nestas águas ribeirinhas
que se entrelaçam como sonhos
na cabeça dum louco.

Vou me afogar na areia
que em meus olhos se espalha
nesta terra sem montes, sem mar.

Então vou rir de tanta coisura
a bailar pelas voltas e retas desta cidade.

E mesmo assim o nada me invade,
me inunda a alma com boca
escancarada, repleta de tardes.

Que ainda me pego cheirando
sal de oceano, enquanto nos olhos,
apenas uma nesga de chão.

Mas não me meço por saudades
E nem por olhar pelos ombros
Que tombos muitos levei assim.

Então me aquieto olhando mangueiras.

Mangueiras é parte do livro Outros Sentidos (07/2008)

2 comentários:

Adriana disse...

já havia lido no Poema Dia, e achei muito bom!

Freddie disse...

Putz! Nunca mais tinha me detido nos escritos do manufatura. Foi um prazer ler esse seu texto... muito bom, tem uns dizeres.... "vou rir de tanta coisura" e... "não me meço por saudades"... belo, belo... parabéns.