sábado, 2 de maio de 2009

Outono

No outono solitário
baila a folha
ferrugem, descarnada.

E vem a luz
rasgando a estrada
como revelação de virgem.

A tarde sem dono,
como se não existisse nada,
velou o vôo da vela, da folha,
amarelada.
Vertigem.

Rodopiou o menino
na beira da estrada.
O trem sobiou.
Soprou a folha o vento seco.
Estiagem.

Como o beijo
teve gosto de outono,
o desejo um dia madurou
em primavera.

Um comentário:

Adriana disse...

belos sons, Barone