terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Na madrugada



A madrugada canta enquanto a maioria dorme.

Há uma TV ligada na sala
uma criança pedindo comida na rodoviária
uma fatia de pizza fria, esquentando, na mesa de centro.

Por um momento alguém pisca e se move
um vigia, tremendo,  passa apitando em sua moto
um último suspiro sai do cobertor feito de noticias banais.

Algumas centenas de pets descem rio abaixo
centenas de árvores antiquíssimas morrem rio acima
centenas desejam algo acima e abaixo de seus corpos.

Em algum lugar luzes são acesas
algum índio teima em continuar sendo
algum civilizado percebe-se deixando de ser.

Velas continuam à queimar
continuam a lhe dar novos pavios
continuam a iluminar independente da forma.

Por vários séculos há vozes mudas
vários avisos sendo exaustivamente escritos
vários devaneios sendo sacramentalmente aceitos.

Eles escrevem o algo que você vê
escrevem o nada que, parece, não existe
escrevem, sobretudo, o que outros não querem perceber.

Há luzes acesas na madrugada, os escritores, sonhando acordados.


Joakim Antonio

3 comentários:

Eu, a Vanessa Marques disse...

espero q sempre existam essas luzes acesas na madrugada

efim, o blog de vcs é bem interessante

bom, até logo

http://qrolecionar.blogspot.com

L. Rafael Nolli disse...

Joakim, gostei muito do poema! Esse tema me é muito caro, aprecio demais a cidade e escrevo quase sempre sobre ela! Parabéns, um poema-retrato bem bacana você conseguiu!

Joakim Antonio disse...

Nolli

Legal que gostou, aprecio muito sua escrita, o tema e o cuidado que tem ao criá-la.

Abraços

Vanessa

Sempre haverá uma luz na escuridão. Aprecie o blog sem moderação :)