segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Capa do livro Elefante (Editora: Coletivo Anfisbena, 2012)



Quebra-cabeça

1
Com Super Bonder®
por de pé o esqueleto da ave:
ofício repleto de ócio –
horas sobre ossos ocos
roídos por secreta mágoa

(o ar e o uso)

Silêncio do bico desgastado pelo canto
O formol roubou o brilho das penas
Largo gesto de asas, premeditado
O olho olha a parede e não vê

Mente quem diz: parece vivo


2
Palavra por palavra
para por de pé o poema:
bateia roendo o leito do rio

(o anel & o piercing
– de amores extintos –
resgatados para brilharem
   – again and again –
sobre uma luz cada vez mais fraca)

Palavra por palavra
para por de pé o poema:
broca em busca da cárie

3
Nada de novo no front
as palavras de sempre
sobre nova maquiagem

como mulher de revista pornô
: punheta para photoshop

Nada de novo no front
o poeta se gabando por
descobrir terra já cartografada –

habitada por centenas
milhares de babacas

2 comentários:

Graça Carpes disse...

Assim, feito toque...
Pode ser o diagnóstico dos poetas...

Sempre muito genial, sua poética.
;)

Larissa Marques disse...

sua escrita sempre me toca, muito bom...