domingo, 30 de junho de 2013

BOAS HISTÓRIAS


«Quando conto as minhas viagens, embora não compreenda, há um encantamento em seus olhos.»

Será que você compreende o encantamento? Compreende! Ele também compreende, o que o encanta, mais do que a você. Com «embora não compreenda» deixa-nos, enquanto leitores, perante uma incompreensão. A qual aceito tenha, não compreende o que seu pai compreende e o encanta. Compreenda, meu comentário é a preparação para meu próximo testamento, vou então escrever… Mina:

BOAS HISTÓRIAS
Para meu pai, sem anos feitos, deixo depois de ter sido, tudo que fui. Foi que não lhe adiantará de muito, assim sendo, fica a saber o que perde. A minha colecção de memórias arquivadas de A a Z e de z a a… Como as poderia aceder é fácil, ido para a Eternidade ficaria a sonhar as letras em combinações infinitas, com suas fintas e remates: golooo… Glorioso destino me dou: - Boas histórias, meu Pai.


Grande texto o seu, com a ressalva feita. Desnecessário mostrar o que não mostra, convencer sem convencer. Com «embora não compreenda» teria de vir, deveria vir, algo que compreendêssemos: algo que seu pai (personagem passivo na narração) não compreendesse. O encantamento é a compreensão total! Abraço.

3 comentários:

Eleonora Marino Duarte disse...

vim do Diário de Letras II testemunhar o testamento. ;)

belo texto e bela escolha para acompanhar, o filme do Selton é uma bela história sobre as heranças.


beijo.*.

Flávio Otávio Ferreira disse...

O encantamento é a compreensão total!
Abraços, Francisco!

Flávio Otávio Ferreira disse...

Fico feliz que a "incompreensão" contida no texto tenha levado a essas BOAS HISTÓRIAS.

Agradeço a generosidade do comentário. Abraço!