sábado, 7 de junho de 2008


Sobram palavras quando há pouco a dizer
Talvez a loucura coubesse na roupa que deixei no cabide
Ou nem houvesse razão para sair de mim
O mundo multicolorido desfocado pela lente da insanidade
O tempo, escusado de mim, vadia...
Vadia como os últimos boêmios
Que saem pelas ruas, exaustos de viver
Vadiam nas ruas da Penha, Vila Madalena ou qualquer canto deste mundo
Em um quarto carcomido...
Sim, sou um destes que tentam atravessar o país
Num piscar de olhos
Talvez uma necessidade de fugir de mim
Ou de me encontrar em qualquer esquina
Onde os loucos se encontram.
Eis que chego à porta da Casa Verde
Recebendo a chave da Cidade das Rosas
Como honra ao mérito de outrem.
Sou assim, usurpador do trono,
Tenho a coroa e a coragem,
Sob o braço o chapéu... nas mãos?
Delírios feitos de confetes e serpentinas
À espera de outros carnavais
Onde os corpos se encontrem
Suados, purpurinados, débeis.

Sim, espero a euforia que vem do claustro,
A lobotomia, o choque elétrico, a surra, o coice...
Espero o veneno destilado nos cálices sagrados,
O corpo sangrando sobre a pedra.
Espero o que não é para se esperar,
O desespero, a sofreguidão,
E, espero sempre na mais tola calmaria
Aquilo que não há de vir.

3 comentários:

Paulinha Liz disse...

Esperemos sempre carnavais e cinzas... muito bom!

beijos

Deveras disse...

Dá para sentir uma pungente dor latente deste teu eu lírico (e espero que seja somente dele, pelo estado da coisa).

Sangra, verte as veias e sangra, o poema.

ficanapaz

Larissa Marques disse...

forte, como tudo que escreve! muito bom!