terça-feira, 21 de outubro de 2008

Dia após dia

Fotografia: Alsksander

Eis a hora de minha morte
Enquanto dia, tardo solitário
Sob um sol sem nome nem visco
Vejo profundo, sinto, sublimação
Sutil como o copo guarda água

Agora é o dia, quando dia findo
Temo o céu aberto, sem nuvens
Sem sombra a proteger o rio
Evaporando lentamente gotículas

Contudo, se voltam do céu as nuvens
A desaguar nas margens, subtraem
Toda a gente deste mundo
Pelo ontem e o que se foi

Acalme-se, acalme-se
Todos os dias passam e ninguém sente
O dia vale o fruto que nasce
Enquanto vivo a espatifar-se ao chão

Eis agora a sombra do horizonte
Pranto triste que o faz disforme
Glória contida, alegria pobre
Sempre, sempre irrevogável

Um comentário:

Larissa Marques disse...

que bom que está com a gente, Manufatura e eu precisamos de você!
adorei o poema!