domingo, 29 de março de 2009

fita de möbius






Por tudo que fomos
Sem confusão
Aceita

Não
Não é despedida
É cansaço

Infinito e inútil
Cansaço

A canção me sopra
Sempre que você me despede
Minha alma se despe
Eu morro um pouco

É fácil
Se não tenho nada
Nada
é o bastante

cansei
não quero mais
tuas impossibilidades

Quando afinal te esqueço
E mal vejo teu sorriso
Em meio ao lusco-fusco

Confuso
Você me resgata
Ondas de carinho
Engolem-me
Atropelam-me

E descubro sem susto
Que o tempo é como a fita de möbius
E mais uma vez tropeço
Prendo-me
Enrosco-me
Nas tramas do passado



Um comentário:

Rosa Cardoso disse...

Esse poema surgiu da conversa com um amigo querido que se sentia preso em algo sem fim,que era bom e ,ao mesmo tempo,um castigo. Ele usou a imagem da fita pra explicar o que sentia.

A fita de Moebius foi divulgada pelo alemão e professor de Astronomia August Ferdinand Möbius (1790-1868). Há diversos trabalhos artísticos baseados nela,imagens sempre belas ,poemas e acho q até canções.Eu conheci através de meu amigo. E me encantei com a simplicidade aliada a um resultado complexo - transformando o finito no infinito. E acho que,de certa forma todo relacionamento poderia ser como a fita de Möebius: algo que parece ter dois lados, mas que tem apenas um....sei lá...na época fez sentido pra mim