quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Terra Arrasada

Bateste em franca retirada.
Te ocultaste além do horizonte,
mulher que outrora chamei “Amada”.
E quem saberá dizer onde, e quão longe,
fica a amurada que te esconde?
A cama que foi nossa um dia
– e, por mim, ainda seria –
é o leito de um rio morto
(antes água, hoje lodo).
Entre uma margem e outra,
sumidouro, atoleiro, fosso:
queimaste a última ponte,
não resta vau, nem passagem,
e nem mesmo o próprio Caronte
se atreveria a navegar este charco.
Da minha margem diviso a tua,
que por léguas ao fundo e ao largo
fizeste estéril, calcinada e nua,
como quem dissesse, “Delenda Cartago”.

4 comentários:

FláPerez (BláBlá) disse...

adoro esse. triste, mas com u,ma ironia q me fez rir um pouco

sandra_c_k disse...

"A cama que foi nossa um dia
– e, por mim, ainda seria –
é o leito de um rio morto
(antes água, hoje lodo).
Entre uma margem e outra,
sumidouro, atoleiro, fosso:
queimaste a última ponte,
não resta vau, nem passagem,
e nem mesmo o próprio Caronte
se atreveria a navegar este charco."

Eu comentei este mesmo hoje em alguma comunidade, mas agora vi a sua atualizacao no meu perfil, cliquei e era o mesmo poema, muito bonito, parabens por este e pelos outros tambem.

Shidon disse...

Pô, Allan, this is the end, man, ou, ainda, "o horror, o horror".

Canto da Boca disse...

Belo, ambíguo, conflituoso. Dá uma sensação de distanciamento, ainda que junto, dentro, do lado.