sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

efígie



cansado de mundo
guerras e presságios
vem e conta sonhos
deixa essa efígie
que pressinto
nas tardes perdidas
em que divagas

ouço tua voz
vem do mar
num sussurro

não explico
só te escuto
num segundo

não discuto
miro teus olhos
incendiados de promessa
vazia e dolente
plantada no azulejo
dessas viagens viúvas

estranhas remessas
desejos e desvarios
que o vento sopra

beijo,teu cenho
de súbito, tristonho,
com temor, prevejo
com esse ato
que é hora de ir

4 comentários:

Rodrigo Domit disse...

muito bem construído, rosa

o ritmo leva pela mão até o final

penanegra disse...

Escrito sinsero. Apesar de triste a constatação, a obra ficou belíssima.

Rosa Cardoso disse...

Obrigada, andava esquecida de postar aqui.

Joakim Antonio disse...

Perfeito, eu gosto quando eu sinto o texto,

Parabéns!