segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ampulheta cega






















Grãos na cintura passam cálidos
Ah, hora, é fissura no furo da proa
Idolatra Argos e hinos vãos, entoa
Crê, mesmo tendo olhos inválidos

Nunca lambeste o tempo em estado,
Ah, areia, é volátil, pelo centro escoa
Impunemente, a pária lasciva ecoa,
Como milhões de pingos sem reinado,

À primeira vista se apresenta formosa,
Naquela luta do não esvair-se pela greta,
Ao fazer-se livre, alforriada, jaz saudosa

Cada minuto manco traz uma muleta,
A jura presa em promessa duvidosa
Que fere, mata nessa imutável roleta.

4 comentários:

Graça Carpes disse...

Maravilhoso poema!

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José Sousa disse...

Lindo poema... gostei mesmo!
Conheça os meus trabalhos em:
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Com um beijo
Bom fim de semana

Tim Soares disse...

O poetar de Márcia é isso, um turbilhão de maravilhas perfeitas!

Larissa Marques disse...

Márcia?
acho que comentou no lugar errado.