terça-feira, 15 de abril de 2008

Próxima parada



Não,não pode
Saia da minha cama
Com sua cabeça coberta de meus afagos
E os afogamentos dos meus gozos
Leve seus sambas
O tira-teima de ser um maldito
Invente um apelido
Para minha dor

Não,não deve
Não vê que estou preste
A me jogar nas alturas?

E você em mim
E você aqui
Zona do desconforto sem lar
Ardendo a cabeça
Em forno bulímico

Aparição em estilo satânico
A marca do estilete cego
Nacos dos nervos no tapete vago

Não,não posso
Querer tudo e desaguar fragmentos
Nos teus amáveis pecados
Desaparecer em ti como solução
Solúvel em delírio e chá de lama

Não posso
Não pode
Não pare

Alienados em nós
Nos distanciamos em chamas frias
Se tudo pudesse ir embora nesse avião
Se eu tivesse asas
Para buscar-te em mim
E explicar essa mágoa

Deixaria tudo
Na palma estagnada
Sem linha,sem ponto,sem cruzes ou pausas

Mas não posso
Não pode
Não me possuo
Não note

Logo a cama de nuvens
E um apagar profundo
De não poder

2 comentários:

Glauber Vieira disse...

Belo tema, ótimo ritmo. Parabéns pelo texto.

Larissa Marques disse...

quisera eu saber minhas próximas paradas, maravilhoso como sempre, Ritinha!