sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Meu primeiro texto aqui... é uma honra para mim

"Ao mesmo tempo tudo parece estar numa velocidade vertiginosa, tudo corre. A chuva desce rápida pela janela, um carro acelera na avenida ao lado, meu sangue recebe uma carga extra de adrenalina e minha vida passa diante dos meus olhos em questão de segundos.
Estou sentado na minha cama, com um cara apontando uma arma para a minha cara.
A chuva pára como começou, de repente.
'-Foi você não foi? Não foi?' Ele grita.
Escuto o carro bater num poste.
Nos assustamos com o barulho, mas ele não tira os olhos de mim.
Sinto minhas mãos tremerem, meu rosto gelar. Acho que agora foi a vez do meu sangue parar...
Daqui a pouco será a minha vida que irá pisar no freio.

Mas não sou mané, levo as mãos até ao meu rosto e abaixo a cabeça, numa atitude natural de desespero, e rapidamente puxo o tapete em que ele estava de pé. Estava. Já me levanto pisando no saco e chutando a sua mão armada. O tiro acontece, mas nem sei onde vai parar a bala. Pego a sua cabeça e começo a bate-la no chão, gritando.Uma.Duas. Três. Quatro vezes.
'-Fui eu. Fui eu mesmo! Fui eu SIM! FUI EU!!EU!!!'
Me sujo com seu sangue. Saio de casa e consigo parar um ônibus.
'Estou fazendo amor com outra pessoa...'
Não podia ser pior. Mentira. Tudo sempre pode piorar. A minha vida é prova disso.
'...mas meu coração...'
Quase uma prova morta.
'...vai ser pra sempre seu...'
Porque não existe motorista de ônibus com gosto musical? E porque tem que ser tão alto o volume?
'...vão falar que é amor...'
E é bem capaz, que no patético da minha vida, essa música conte a minha história atual, e seja a trilha sonora da minha morte.
'...vão jurar que é paixão...'

Mas nem fudendo!

Consigo descer em frente ao Copan, e me lembro do livro do Eduf, espero ver se algum suicida cai do nada. Nada. Vou ao metrô. Melhor não, debaixo da terra deve ser bem pior para fugir. Mas porra, é mais rápido. Pego o metrô até o Brás. Pego o último trem e vou para Mauá, e vou andando da estação até a casa dela, andando e rezando para que ela não me pergunte nada. Só me empreste uma toalha, uma escova e me abrace durante o resto da noite."


continua...

4 comentários:

Francisco Coimbra disse...

Bem vindo! Com enorme energia, saltando do texto, ganhando a estrada…
Fico aguardando a continuação. Dica: volta a entrar no texto e inclui um marcador com o teu nome, vai facilitar acompanhar a “contynuação”…
«… onde vai para a bala», só essa me chamou a atenção para a ortografia, aproveita e acrescenta “para‘r’”. Abraço.

L. Rafael Nolli disse...

Bem-vindo, Ronaldo!

Larissa Marques disse...

bem vindo!

Joakim Antonio disse...

Seja bem vindo amigo.

Belas cenas em Sampa!

Abraços