sábado, 21 de abril de 2007

Mesmo que morra um pouco de mim... Sobrevivo!

Não pensei duas vezes ao receber o convite da Larissa. Estou muito feliz por fazer parte deste belo grupo que de mãos unidas tecem as peças deste blog. Num trabalho digno de quem tem as Letras por maior paixão. Muita Luz a Todos!
Paz e Literatura, sempre!



Morro a cada morte estúpida
Morro a cada dia de ausência da poesia
A cada Índio Galdino assassinado
Em todos os sem-terra que banham o chão
De sangue
Morro a cada bala perdida que se acha
A cada crime que se presencia
A cada vida que se torna inválida
Morro ante a violência urbana
Ante a mente desumana
Ante o caos social
Morro
Aqui
E no outro canto do planeta
Morro na África
Em meio à fome e a guerra civil
Morro em cada criança
Que leva nas mãos seu fuzil
Morro assim, sem esperança
Morro a cada corpo que cai
A cada torre que cai
A cada prédio em ruína
Em guerra que nunca termina

Morro no Brasil
Na Candelária, em Vigário Geral
Na Rocinha
No Carandiru
Em Eldorado Carajás
Na Avenida Paulista
Na linha vermelha
Em qualquer estrada rural
Morro aqui
Morro no Iraque
Em cada bomba que cai sobre o Líbano
Morro em Israel

Morro na luta por idealismos
Na luta por fanatismos
Na guerra do terrorismo
E na falsa ilusão
Que não acaba mais...
Quem sou eu?
Qual meu nome?

Tristemente
Me chamam PAZ!

10 comentários:

*Caroline Schneider* disse...

Flávio, que lindo... Ainda bem que ainda temos a POESIA... ainda bem que ainda temos ESPERANÇA... ainda bem que ainda temos idealistas que, como tu, de mãos desarmadas chamam o mundo a pensar ao destino que temos dado à PAZ... esta paz que tanto almejamos para nós e para todos aqueles que amamos. Quiçá possamos, amanhã, acordar sabendo que a paz teve um dia de trégua... Beijos poéticos*

Larissa Marques disse...

Flávio, a honra é toda minha, brindar o Manufatura com sua "Paz e Literatura Sempre!"
E que poema meu querido... Com um cunho revoltado, lembrando também a tão desgastada data 19/04. O índio, assim como o pobre, o negro, o faminto, não têm o que comemorar!
Resta-nos lutar, com as letras e as armas que temos, para mostrar nossa indignação!
Sê bem vindo, meu querido! Belo poema!
Beijo grande!

Glauber Vieira disse...

Uau, rapaz, mandou bem hein? O texto em si é ótimo, mas o final ficou ainda mais deslumbrante. Nota 10!

cássio amaral disse...

Bacana o poema brother.
O lance é morrer todo dia, transmutar, sendo metamorfose ambulante.
É por isso que tempos atrás escrevi um haicai assim:

me suicido todo dia/
lembrando que nunca envelheço/
meu preço é ser inocente.

Muito legal aqui.

Vamos em frente.

Abração.

Alexandre disse...

Morremos todos os dias meu caro! Um belo poema. Mas o que dói é a morte matata, pois a morte morrida faz parte da natureza!

cássio amaral disse...

Bem crítico e pertinente seu poema Flávio. Vale a pena relê-lo algumas vezes para pensarmos sobre nossos atos com relação a humanidade e a nossa vida, nossa falta de altruísmo, de fraternidade.

Abraço.

Augusto Sapienza disse...

É, como escrevi uma vez:
"Um viva aos mártires inocentes das idéias estúpidas, pelo menos que não seja em vão"

Um grande abraço

Flávio Otávio Ferreira disse...

Valeu pessoal pelos comentários. Está sendo ótimo fazer parte deste blog. Abraços poéticos a todos!
Paz e Literatura Sempre!

do infinito impreciso disse...

depois de tudo isso, ia eu dizer o q?
só que gostei muitíssimo.
achei de uma riqueza imensa, em sentir e em técnica,
mto bom :)

Flavio Carvalho disse...

E aeee meu caro,

Muito legal esta,

gostei muito tanto
das palavras quanto da idéia,


abraços,