terça-feira, 24 de abril de 2007

Farrah Falsett


Me dá um pouco de paz, eu te dou um pouco do meu desassossego
Nasci de uma mãe com mancha castanha no olho verde e esquerdo
E é por isso
Eu sou habitada por um cardume de criaturas cegas
Que comem morcegos

E é por isso que eu tenho tantos nomes
E nenhum deles é meu.

Cuidado com o nome que chama,

Você pode trazer os demônios à baila
E me diga
Você já
Dançou com o demônio
À luz do luar
?

Porque às vezes eu sou ciano
E às vezes, cianureto
E às vezes eu sou pinóquio
E às vezes, gepeto

Porque às vezes eu sou nuvem de inverno e às vezes
eu sou o demônio de mãos pequenas
e caninos vermelhos.

Cuidado com o nome pelo qual me chama
Não convide os monstros pra montar
Cidades de lego


Porquê às vezes eu sou bambuzal
e às vezes,
sou prego.

E Cuidado com o modo que me chama

porque

Enquanto Samantha canta

Enquanto Eduarda guarda

Enquanto Sônia sonha,

Clara pára
Rita grita
Emma toma.

***
grandes olás a todos os colegas manufatureiros :)

11 comentários:

Larissa Marques disse...

Nath, estou sem fôlego, sua força é admirável. Poesia crítica "a la" Czarina, no último!
Sua fã! Beijo!

Alexandre disse...

Olá Menina!
O modo e fazer poesia é o modo de desconstruir o que era sólido e derrubar pra passar por cima de tudo! Importa o verso como é dito e feito. Perfeito!
Abraços.

marília passos disse...

belíssimo, menina!
realmente gostei muito (e que eu diga que eu so falo quando eu gosto emsmo hehehe)

vai ser bom te ver por aqui :)

Otávio M Mártinezi disse...

Estou rindo aqui, Czarina. Que espirituosidade! Gostei do teu ritmo.

Glauber Vieira disse...

Czarina, ao começar a ler, achei que fosse um texto da Larissa; portanto, entenda isso como um elogio. O texto todo é muito bom, mas há trechos mais admiráveis ainda, pelo ritmo e significado (como aquele do Pinóquio e Gepeto).
Parabéns, garota!

Larissa Marques disse...

Glauber, assim você me elogia, não faça isso meu querido! Ser comparada à Czarina, putz, sem adjetivos, sou vassala das letras perto de Czarina! Salve, Czarina! Ave, Czarina!

Flávio Otávio Ferreira disse...

"Enquanto Samantha canta

Enquanto Eduarda guarda

Enquanto Sônia sonha,

Clara pára
Rita grita
Emma toma."

Czarina, que final é esse?
Fantástico...
estou achando uma experiencia esplendida, participar deste blog...cada postagem de tirar o fôlego da gente!
Parabens a todos!

[barba] Uonderias disse...

grande olá pra vc tb
e parabéns!

Augusto Sapienza disse...

Olha, é difícil achar um texto desse estilo tão bem escrito... Parabéns!

medusa que costura insanidades disse...

E eu,Rita grito:
que poema perfeito!
você é mágica com as palavras

Mr. Arcano disse...

Dançar com os demônios não seria nada mal!
E " Emma Toma", sem palavras...maravilhoso!
PS: Atônito ainda!