quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Palavras, não mais que palavras.

Não mais que coisa alguma.

Mas tudo é palavra em suma.

Palavras abocanhadas,

Mastigadas, depois vomitadas,

São palavrinhas mal digeridas

Que tornam a ser
palavras

Depois de cuspidas.

Palavras da boca pra fora,

Palavras
impressas, versadas,

Palavras
sinceras de quem ri

Ou até mesmo de quem chora.

Palavras soltas, aladas,

Perdidas em meio a outras...

Palavras
muitas, palavras poucas,

Ricas, pueris, bem articuladas,

Aquelas com gostinho de anis,

Aquelas que descem amargas.

Algumas escapam da boca,

Outras se perdem na ponta da língua.

palavras que vão de vento em popa,

palavras que morrem a míngua.

Sejam profanas, benditas,

Adjetivadas ou loucas,

São
palavras bem-vindas.

palavras de tesão ao pé da orelha,

Do sacristão à suas ovelhas.

O mundo cabe em uma palavra,

Só alguns corações que não sabem

Que a palavra amor também os cabe.

A palavra instante é curta,

A palavra espera é longa.

A palavra navalha corta,

A palavra tempo cicatriza.

palavras, palavras, palavras...

E são tantas as
palavras

Que mal cabem na boca.

Mas se você não sabe qual usar,

Cale-se, pois qualquer palavra solta

Pode contaminar o ar.

Deixe a palavra sangrar

Até que escorra poesia,

E mesmo que a boca não se abra

Será a poesia a palavra abracadabra

Nesse mundo de
palavras engasgadas.

4 comentários:

L. Rafael Nolli disse...

Impressionante o poder das palavras!

L. Rafael Nolli disse...

Impressionante o poder das palavras!

Larissa Marques disse...

Palavras, não mais que palavras, mas que trazem a força de tudo o que se sente! A mim não há melhor maneira de se explicar o que se sente do que com elas (palavras)!
Muito bom, Jairo!
Sê bem vindo!

Iriene Borges disse...

Como diria Larissa "reverências" Jairo!