terça-feira, 27 de maio de 2008

Rodanã


Roda, gira, revoluteia
sem sair do lugar
comum
ziriguidum
balacobaco
terecoteco
toma umas no boteco
vai pra rua meio boneco
trôpego-de-sorriso-monalísico
leva cantadas de travecos
pedradas de jovens marrecos
dinâmicos, algazarram
qüem-qüem (marrecos também fazem qüem-qüem?)
escarnecido e boicotado
frango em frangalhos
chafurda no asfalto
pensa em ter um treco
mas é pobre-semi-miserável-menos-favorecido
medita e conclui (cabal e facilmente):
bordejar é preciso
amanhã é outro dia
durmo na casa da tia
vomito na pia
mijo na bacia
como a gata sofia
esparadrapo o pênis (felinos são indóceis)
repasto o pão-com-manteiga
bebo o café margoso
e vou trabalhar
lá no alto do edifício
a obra-nossa-de-cada-dia
mas vão todos vocês tomar
chico vai também
não será dessa vez
que vou pular
lá alto!
virarei não
borrão no asfalto.

Carlos Cruz - 16/05/2008

2 comentários:

Paola Vannucci disse...

gosto da diversidade deste blog,

bjs

Larissa Marques disse...

eita, padrão CC! Muito bom, demais!
beijo, bom contar contigo aqui!