segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Só ...tão

Vivo abarrotada de almas,
tanto novas quanto usadas,
pra mudar conforme o caso

(se uma suja, jogo fora,
quase nunca lavo).

Algumas são falsa-cor,
vermelhas,
cheias de prendas e laços,
penduricalhos mil costurados,
que já nem sei mais o nome.

–tenho um motivo fajuto
e sempre o sapato perfeito
pras feras que me consomem–

Há uma de esguelha, há outra rodada,
envolta em fuxicos, ismálias
e finas organzas de musas

–amélias no forro, teresas na barra–

há uma fechada, há outra que ousa,
e não tem botões, nem amarras,
rendada com puta de esquina.

(troco a cara e o vestido
quando aquela não mais me fascina).

Em noite de gala,
quando o amor desvestido me despe,
me visto com fendas
e tons de imprevisto.

Acordo no dia seguinte, num sopro,
já pano de vela que encontra
seu porto

- alma á espera, com jeito de corpo -

5 comentários:

Graça Carpes disse...

Gostei do jogo de palavras e da velocidade - fiel à troca de personagens.
:)

Joana Masen disse...

Muito bom, lembrou-me Cecília Meireles. Abraço!

L. Rafael Nolli disse...

Belo poema! O arremate é sensacional!

Paco * disse...

Se eu pudesse, casava com vc.

Flá Perez (BláBlá) disse...

valeu pessoal!


hahahahahahahahahahaha, Paco!