terça-feira, 3 de julho de 2007

Pedras do castelo


As pedras no caminho? Guardo todas...
Um dia vou construir um castelo

...

Por muitos caminhos não retos devo guardá-las?
Todas essas pedras que colocam em meu caminho?
Para construir o meu esperado castelo
Na larga terra escolhida para meu definho?

É esse o tal esperado vindouro?
Quando chegar lá, será de pedras o meu tesouro?
Apenas pedras postas ali mesquinhas e obtusas?
Apenas pedras frias, pesadas e mudas?

Elas não passam de frustradas, isso sim!
Pois das montanhas não passam de farelos...
Servem apenas para levantar paredes,
Jamais por si suficientes para construir castelos!

E as janelas, jardim, cama, endereço?
E o reino, rainha, portas e portões?
As pedras têm objetivo maior que o tropeço,
Elas juntas têm habilidade de formar prisões

Assim só terei pedras, apenas pedras terei...
Além de paredes o que mais eu farei???
Talvez me apedrejar de forma voraz...

Então escrevinho:
As pedras no caminho? Deixo para trás...
Nenhum dia vou construir qualquer parede...

Augusto Sapienza


Obs: Nemo Nox é o autor dos versos da primeira estrofe

4 comentários:

L. Rafael Nolli disse...

Augusto, meu camarada! As vezes é de pedra e nada mais o caminho, os dias, a vida - mas é certo que com elas se pode erguer um muro, uma barricada para resistir, ou se defender. Tal como, com elas, se pode se soterrar, ou se violentar! O poema trata-se dessa dualidade com bastante propriedade. As pedras sempre possíveis metáforas para os poetas canalizarem os seus anseios!

Claudia Menezes disse...

Eu adoro essa frase. Mas, você vez com que o a frase tomasse um outro rumo .. E uma conclusão maravilhosa ao contexto que vc criou .. Beijins

Larissa Marques disse...

Meu querido, descobri que as pedras por vezes são o caminho! Adoro-te.

Glauber Vieira disse...

O poema me lembra aqueles textos clássicos do século 19, portanto, entenda isto como um elogio. Gostei da métrica, do assunto... muito bom.