terça-feira, 10 de julho de 2007

constatação.

Queda de prédio, câncer no rim, falha no freio, fraqueza, naufrágio, alfinete no mingau, picada de cobra, tropeção em fio de cobre, torradeira na piscina, leptospirose, alergia a amendoim, remédio errado, passo errado, múltipla falência de órgãos, comer mulher de cangaceiro, fome, cabeça no fogão, engasgamento com tubinho de asma, desligamento dos aparelhos, engolimento de dentadura durante o sono, definhamento lento, cirrose hepática, choque anafilático, parada cardíaca, piano na cabeça.




Hoje em dia, ninguém mais morre de amor.

7 comentários:

Glauber Vieira disse...

rs,rs... muito bom, bem irônico.

L. Rafael Nolli disse...

De amor? O último a morrer desse mal foi algum poeta romântico - possivelmente francês! Talvez um simbolista tísico possa ter algo a ver com isso! Muito boa a prosa poética!

Flávio Otávio Ferreira disse...

Belo texto! Provavelmente inventaram a vacina contra o amor... rsrsrs
Abs.

Klotz disse...

Morri na semana passada. Foi bom. Quero morrer outras vezes de amor.

Larissa Marques disse...

A sua veia sádica e ironica muito me agrada, menina, eu mesma não morro de amor!
Risos múltiplos! Maravilhoso texto! Beijo!

Freddie disse...

Todos que morrem de amor, morrem metafóricamente. A diferença é que alguns matam o amor em metáforas. Muito bom o seu texto, parabéns!

medusa que costura insanidades disse...

alguns definham ainda
eu sonho