sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Esparsos em maio de dois mil e três

1

Vencendo barreiras e himens,

galgando distâncias e reentrâncias,

superando obstáculos, seios e vaginas,

plantando pênis, semeando porra:

o sexo de ontem faz os homens de amanhã.

2

Elaborando idéias e césio 137,

construindo bases aéreas e área 51,

demolindo pastos, homens e culturas,

plantando urânio, napalm e tecidos bacteriológicos:

o imperialismo de ontem faz os revoltosos de amanhã.

3

Refugiados em florestas, haxixes e cocas,

escondidos em escombros, fuzis e desertos,

falando o latino, o soviético, o molotove,

arando terra invadida, amolando foices no escuro:

todos os caminhos que nos separam da liberdade

{passam pelo cabo Horn.

4

Carregando trouxa de roupas e embargos econômicos,

superando estiagens e dívidas externas,

nós prosseguimos nos fechando.

Levando compras e ordens,

vivendo de especulações, inflações e salários mínimos,

nós prosseguimos nos escondendo.

E não haverá casa, muro ou vala,

não restará refúgio, guetos ou exílios:

e nós prosseguimos atados por correntes e nós.


poema do livro memórias à beira de um estopim

(edição independente, 2005)

4 comentários:

Ela disse...

E saber que o mais importante é prosseguir...

Larissa Marques disse...

muito bom o poema e o livro, indico: "memórias à beira de um estopim", de Nolli.
Beijo!

Glauber Vieira disse...

Temas atuais são ótimas fontes de textos... e este é um. Particularmente, acho que o melhor do texto é a última estrofe. Sublime!
Só duas observações: vc escreveu molotove, mas acredito que o correto é molotov;
No trecho: "... os caminhos que nos separam da liberdade
{passam pelo cabo Horn." não entendi essa chave {. Acho q foi só um erro de digitação, mas se tiver um significado me avise!

Leandro Jardim disse...

Sempre a força de Nolli, avante!

hehe
abraços, meu caro

Jardim