domingo, 5 de agosto de 2007

Sermão do Tempo

Enquanto eu espero o tempo passar,
O tempo passa por mim,
Mas eu não o percebo.
Quando ele me diz:

- Caro infeliz,
Esquece-me!
Apaga-me da tua mente,
Pões fora teu relógio;
E abraças as horas
Que correm o seu curso lógico.
Não queiras fazê-las parar,
Nem, muito menos, mais rápido andar,
Apenas por um pedido
Infantil, desesperado,
Teu.
Saibas que elas não se curvam
Nem ao pedido despótico
De Deus.

Acaba-se assim o sermão do tempo.

E eu, que apenas percebi
A linguagem suave do vento
Espero-o ainda.

Ele se cansa e passa.
Infeliz por sua língua
Incompreendida.
- fado de toda
linguagem divina -

André Espínola

3 comentários:

Larissa Marques disse...

Que lindo, André...Vou esquecer-me!
Beijo grande!

Rogers.Silva disse...

tem uma profundidade e sabedoria ñ muito comuns a pessoas da sua (minha) idade.

Glauber Vieira disse...

André, tenho acompanhado seus textos há alguns meses, e tenho percebido uma evolução destacada. Esse texto sobre o tempo é maravilhoso. Parabéns!