sexta-feira, 22 de junho de 2007

Liberdade burguesa

Você é livre

Para escolher

A cor das tuas cortinas

Dos teus tapetes

Dos teus cabelos

Da tua empregada


Você é livre

Para decidir se quer

Beber ou cheirar

Fumar ou injetar

Malhar ou engordar

Envelhecer ou se lipoaspirar

Comer ou dar

Corromper ou denunciar

Demitir ou humilhar

Socar ou abraçar


Você é livre

Para mudar

O canal da tua televisão

A marca do teu som

O tamanho do teu celular

Ou mesmo para determinar

Se quer versos livres ou rimar


Você é livre

Mas experimente

Distribuir e não vender

Pisar na grama e não no homem

Tentar entender

Perguntar o porquê

De comprar

De pagar

De vender

De calar

Vendo a polícia matar

O jornalista mentir

O advogado omitir

O juiz humilhar

A madame sorrir

Pelo acordo velado que a permite

Ser livre e lucrar

Você é livre?

8 comentários:

*Caroline Schneider* disse...

Achei o máximo o teu texto! Uma chamada maravilhosa à reflexão! Uma puxada de tapete naqueles que não estão nem aí pra nada nem ninguém, que querem que o mundo se exploda e que se fodam os outros! Precisamos repensar nossas próprias atitudes ante a nossa tão chamada LIBERDADE! A cada dia q passa estamos com menos liberdade para sermos verdadeiramente livres. E isso dói demais. Beijocas estaladas!

Flávio Otávio Ferreira disse...

Liberdade?

Quem é Livre?

Abs.
Paz e Literatura Sempre!

Larissa Marques disse...

Já havia comentado esse teu texto e feito uma ponte com um texto de jim Morrison. Admirável saber que a nossa liberdade burguesa está atrelada ao que podemos consumir. Adoro seu estilo e tem aqui uma fã.
Beijo grande!

Glauber Vieira disse...

Gostei do tema e do ritmo, é um verdadeiro tapa na cara.

Freddie disse...

Muito interessante, sobretudo, a questão ética. A relação entre as pessoas pressupõe um conjunto de regras morais que o próprio sistema econômico estabelece. E, se valendo dessa falsa moralidade burguesa, passam por cima de valores éticos. A ética pressupõe o respeito a vida, a dignidade do homem e o respeito ao meio em que habita. Contanto, muitos se acham livres por terem um certo campo de mobilidade sustentado por sua confortável condição financeira. Me empolguei, talvez eu tenha falado muito, mas só foi para tentar decifrar um pouco de tudo o que escreveste. Parabéns, muito bom, gostei!

medusa que costura insanidades disse...

Mais uma vez nosso amigo filósofo estende suas luvas de pelica para nos cutucar....como é triste......sou livre para dizer que não sou livre,prisioneira de mim mesma,do sistema,da puta que pariu..........a vida é ânsia
Muito bom o soco Thomás!

Augusto Monteiro disse...

Lindo poema, Adorei.

Devolvo com:

A vida burguesa me consome,
Sonhos de consumo
sobram sonhos
falta sumo.

Augusto Monteiro.

Anônimo disse...

intiresno muito, obrigado