quinta-feira, 21 de junho de 2007

Nas tardes de outono eu acredito no amor

Você trouxe a esperança pra os meus olhos
Aquilo que a consciência falha nem lembrava mais
Trouxe a entrega que esperava que ninguém trouxesse
Assoprou no meu rosto o valor que existe ao ser tocado
O corpo frígido, lívido e tão pouco adorado
Você lavou a minha carne e salvou a minha alma da estagnação

Acho que acabo de sentir bem-estar
Acabo de ser arrebatado e ganhado a salvação
Você trouxe o eu que eu procurava entre tantos...
E que nunca encontrava, nunca encontrava, nunca... encontrava
Mesmo quando parecia ser exata a sensação de sobrevida

Algumas palavras quando faladas têm força incontida
Bastou que escrevesse algumas concordâncias pra eu acreditar
Que a vida é muito, além daquela velha idéia de definhar...
Esperando as árvores desfolharem no mês de setembro

Você trouxe a certeza que eu nunca quis ter
Sobre a possibilidade da infelicidade existir aqui
Quando acreditamos que nada pode durar, sem ao menos tentar
Sem querer ao menos sentir...

Você soube me olhar quando ninguém me via
E entender que esse meu jeito é meu mesmo, e que nunca será diferente
E você soube enfeitar os meus dias, fazer-me rir de você e de mim
Numa tarde incomum de outono, quando tudo acontece

A rua caminha
As garotas e os meninos caminham
As aves voam, e o pardalzinho se banha sobre a calha...
Enquanto você me olha desbravando alguns segredos contidos

4 comentários:

Glauber Vieira disse...

Gostei do tema e da musicalidade do texto.

Flávio Otávio Ferreira disse...

Belo texto... gostei.
Abs.
Paz e Literatura sempre!

Larissa Marques disse...

Túlio, nem nas tardes de verão consigo acreditar no amor, seu texto é lindo, melancólico, traz força nos versos. Como o vento de outono, sopra constante.
Beijo grande!

Deveras disse...

Porra cara, isso foi de uma beleza!

É o "reesperançar"... É voltar a ver o amor como benção, não maldição.

Aplaudo de pé.

ficanapaz