terça-feira, 15 de maio de 2007

Arranhão

Acolher pragas
Semear o tétano da alma
Como se fossem as flores do campo
(enforcadas em maio)

Cuspir no amado prato
Recolher o humilhado rabo
Dentre as trêmulas pernas
Para não perder o ritmo
do rebolado

Falsificar o documento da existência
Clonar o poço da urgência
Manter-se em pé na corda bamba
feita de nervos e algodão
dizer sempre não
Quando o sim anseia um sibilo cristalino
e a alma um arranhado pequenino

Sonata enluarada...
somente parte de uma canção mais depravada

(nada que eu possa fazer pela poesia!)

8 comentários:

Thin White Duke disse...

"Sonata enluarada...
somente parte de uma canção mais depravada"

Gostei!!!

Alexandre disse...

Belo poema!
E a vida não é essa trama diabólica???

Flávio Otávio Ferreira disse...

Pois bem... fizeste tudo pela poesia!
mesmo que despretensiosamente, aí está, o fruto inigualável de essência poética... a poesia... com todos seus gritos!

Larissa Marques disse...

Menina, menina. Quando eu crescer quero ser igual a você! Beijo, minha cara.

Mauricio disse...

Muito bom,

Gostei demais.

Me Morte disse...

Sempre trazendo coisas lindas e arrojadas. Teu estílo é único. Adorei Linda. Beijão

*Caroline Schneider* disse...

Rita, Rita! Pra não perder o ritmo do rebolado, dei três lidas no teu poema... ai, que delícia de leitura... muito boa mesmo, deveras intrigante, diga-se de passagem... repleta de alegorias, imagens poéticas que falam muito mais a cada leitura. Amada, desejo muita sorte no teu ofício como poeta, pois talento, tens de sobra! Beijocas estaladas*

Thorpo disse...

Já te disse lá no "Bar" como gostei da tua escrita, não é? O que acabo de ler aqui só confirma tudo.