
Foto: Joana Muge
Deita tua voz em meus ouvidos
ferindo a castidade que me faz dormir tão cedo.
Preciso das pontas dos teus dedos
para que a insônia crave em mim as suas unhas
e eu te guarde, enluarado, entre os meus segredos.
Desenrola teu desejo sobre a minha pele nua
para que a minha boca beba na tua,
esse hálito de flor
e provoque uma súbita troca de posições
onde meus cachos pendam frouxos sobre o teu rubor.
(Para que eu me despeça da maldade
do querer entardecido de ausências,
deita tua fome em nossas pendências.)
E deixa que o dia brote do horizonte
como se fosse do mais íntimo da gente:
adormeceremos ensolarados e castos
como o poente.
*
*
*
Marla de Queiroz
10 comentários:
Magnífica descrição de uma noite quente!
Abraços
Sê bem vinda, menina linda! Quanta alegria ver seu poema impresso aqui.
Beijo grande!
Bela poesia .. Romântica .. Estava bem inspirada nesse dia, hem?
Beijins
Amor, convite irresistível...hálito de flor, perfume de flor, desabrochar de flor...a vida parece um jardim!!!
E a gente fica boba, boba...
Muito bonito o poema.. Foi legal ter encontrado este espaço.
Grande abraço
muito bom!
bebi cada gota desta maravilhosa poesia e acordei trêmula no poente escarnecido...
Muito bonito, um convite marcado... "para que a insônia crave em mim as suas unhas e eu te guardo, enluarado, entre os meus segredos"... Com um final que tem cara de início... "como se fosse do mais íntimo da gente: adormeceremos ensolarados e castos como o poente". Lindo! Abraço.
Muito bom texto... Fui arremetido às lembranças de minhas noites mais enradiantes, que no fim, fui poente...
Beijos
Falar o que de um texto unânime? Apenas faço ecoar os elogios justos dos meus colegas. O texto é ótimo, parabéns!
Postar um comentário